Nova onda de Covid-19 amplia agravos na saúde mental da população

24/01/2022 - Marcelo Raulino

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) vem alertando sobre os efeitos devastadores da pandemia de COVID-19 sobre a saúde mental

Perto de completar dois anos, a pandemia por coronavírus têm causado diversas mazelas na humanidade, desde a irreparável perda de milhões de vidas, a sequelas na saúde dos que conseguem vencê-la, mas há também uma consequência devastadora que tem sido foco de estudo de especialistas em todo o mundo, que são os transtornos mentais agravados pela incerteza do futuro. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em publicação no final do ano passado, já vinha alertando sobre os efeitos devastadores da pandemia de COVID-19 sobre a saúde mental e o bem-estar das populações das Américas.

A OPAS publicou o documento “Strengthening mental health responses to COVID-19 in the Americas: A health policy analysis and recommendations” (Fortalecendo as respostas de saúde mental à COVID-19 nas Américas: uma análise de políticas de saúde, em tradução livre), na revista The Lancet Regional Health – Américas, onde examina estudos e dados de países da região em um esforço para compreender melhor o impacto da pandemia na saúde mental da população. Conforme o estudo, mais de quatro em cada 10 brasileiros tiveram problemas de ansiedade.

Para o diretor de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS, Anselm Hennis, a mensagem é clara, pois o mundo tem operado em modo de crise desde o início da pandemia. Na sua visão, além de controlar o medo de adoecer e o trauma de perder entes queridos com o novo coronavírus, o povo das Américas tem sofrido com o desemprego, a pobreza e a insegurança alimentar, e o impacto adverso sobre a saúde mental foi generalizado.

O estudo analisa as consequências para a saúde mental das pessoas que sofreram com o novo coronavírus. Conforme os dados, um terço das pessoas que sofreram com COVID-19 foram diagnosticadas com transtorno neurológico ou mental. Os casos mais acentuados foram em jovens, mulheres, pessoas com transtornos mentais pré-existentes, bem como trabalhadores da saúde e da linha de frente e pessoas com menor status socioeconômico.

Antes da pandemia, estimava-se que os transtornos mentais custariam à economia global US$ 16 trilhões em 2030 se não fossem devidamente tratados. Investimentos adicionais são necessários com urgência e, à medida que os países aumentam os investimentos em serviços de saúde mental, os autores insistem que os grupos em situações vulneráveis devem ter maior prioridade.

Segundo a psicóloga e psicoterapeuta, mestra e doutora em psicologia, Isadora Dias, é importante procurar manter sono, alimentação e atividade física em dia, ter cuidado com uso de álcool e outras drogas, e sempre que possível fazer contato com a natureza. “É necessário ter um uso saudável de redes sociais, evitando excessos e prestando atenção pra não comparar sua vida com as vidas de outras pessoas. Ter pessoas de confiança para conversar e desabafar. Para aqueles que têm algum tipo de fé, alimentar a espiritualidade, da maneira que for possível. Viver um dia de cada vez! Se sentir que precisa de ajuda, procurar um profissional psicólogo ou psiquiatra”, afirma.

Mas algumas dicas que podem ser seguidas para que os agravos sejam minimizados: planejar uma rotina se tiver em casa; se estiver em home office, fazer pausas, de 5 minutos a cada 1 hora de trabalho; evitar ler e ouvir sobre o tema; manter o uso regular de medicação se já utilizar; fazer atividades físicas e atividades relaxantes, como ouvir música, assistir filmes, ler livros e fazer cursos online.

Serviço

O atendimento emergencial e ambulatorial a pacientes com transtornos psiquiátricos podem ser feitos na rede pública Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), com emergência 24 horas e 180 leitos de internação psiquiátrica.

Endereço: Rua Vicente Nobre de Macêdo, s/n – Messejana

Tel.: (85) 3101-4348

Foto: Agência Brasil