A Câmara Municipal de Fortaleza realizou, nesta segunda-feira (5), Sessão Solene em homenagem ao Centenário da Federação de Bandeirantes do Brasil. A solenidade foi proposta pelo vereador Jorge Pinheiro (DC), através do requerimento 1663/2019, aprovado por unanimidade pela Casa Legislativa. Conforme o parlamentar, o Bandeirantismo é um movimento educacional que desde 1919 trabalha no Brasil para a formação de valores e a vivência cidadã de crianças e jovens no Brasil.

A sessão foi presidida pelo vereador Jorge Pinheiro, no ato representando o presidente do Legislativo da Capital, vereador Antônio Henrique (PDT). A mesa solene foi composta pelas seguintes personalidades: Elenita Maria Pinheiro da Fonseca, bandeirante e Coordenadora do Núcleo Bandeirante de Fortaleza; Vera Lima de Freitas, vice-presidente do Núcleo Bandeirante de Fortaleza; Cira de Matos Brito, coordenadora de eventos do Núcleo Bandeirante de Fortaleza; desembargadora Gisela Nunes da Costa, benemérita e apoiadora do Núcleo Bandeirante de Fortaleza.

Em sua fala inicial, o vereador Jorge Pinheiro disse que sempre buscou diversos instrumentos, entidades e ações que contribuam com a mudança da realidade de Fortaleza e por isso propôs uma lei criando o Dia do Escotismo e do Escoteiro, na data do nascimento do Baden-Powell e agora vai propor o dia do Bandeirantismo. “Conheci a Elinalva que falou do movimento Bandeirante, fui procurado pelas senhoras Vera e Elenita para fazer essa solenidade então propus o requerimento e foi aprovado por unanimidade. É notório que precisamos de movimentos como o de vocês. Precisamos resgatar os valores da família, de amor à pátria, a nossa cidade, o cuidado com o outro, para mudar a próxima geração e a realidade atual”, frisou.

“Essa sessão é uma homenagem a tudo que vocês fizeram e o que virão a fazer. Ao mesmo tempo é um pedido para que continuem esse trabalho. Em nome do povo de Fortaleza digo muito obrigado! Sei das dificuldades as vezes de continuar diante de uma realidade tão perversa, mas é justo que o que muito vale, muito custe. Todos devem apoiar esse movimento para que cresça, ainda mais, e transforme Fortaleza na cidade da paz!”, concluiu.

Em seguida, o vereador concedeu a palavra a coordenadora do Núcleo Bandeirante em Fortaleza, a senhora Elenita Maria Pinheiro da Fonseca. “Em nome da Federação e do Movimento Bandeirante em Fortaleza, agradecemos a Câmara, na pessoa do vereador Jorge Pinheiro, por essa homenagem. Agradecemos a todos os presentes, por terem aceito o nosso convite, dando a prova de que acreditam em nosso trabalho. Hoje é dia de gratidão e por isso vamos homenagear personalidades que tem nos apoiado em Fortaleza”, disse.

Ato contínuo, o Núcleo Bandeirante de Fortaleza entregou a medalha do Centenário do Movimento Bandeirante para Lúcia Nogueira, Lúcia Gonçalves, Sílvia Maria e Sara Sonsol. Já o vereador Jorge Pinheiro, autor da sessão de homenagem, o chefe escoteiro Tiago Ramos, e a professora Célia Cortez, receberam o “broche da amizade”

O vereador Jorge Pinheiro também fez suas homenagens com a entrega dos certificados de participação na sessão para as seguintes personalidades: Maria Lúcia Tavares Ramos, Sara Sonsol Gondim, Lúcia Gurgel Nogueira de Medeiros; Sílvia Bonfim Hipólito; Daniela Veras Barros Dias; Alice Lorena (in memoriam); Dóris Sampaio (in memoriam); Lília Gaspar Sousa (in memoriam). Pinheiro observou que está com um projeto para construir um busto do Baden-Powell, no Horto Municipal de Fortaleza. “Isto é uma forma de apoiar os movimentos criados por BP”, ressaltou.

Em nome dos homenageados falou Vera Lima de Freitas. “As homenagens não são apenas para as pessoas citadas, mas para todos que fazem o movimento. Precisamos de todos para que dentro de uma ação coletiva e conjunta trabalhemos pela Educação. Esse é um momento feliz para todos nós. Representados por crianças, jovens e adultos, o movimento é centenário e vem cumprindo seu papel na educação. Todos os homenageados tiveram a felicidade de iniciar na infância ou juventude o aprendizado que complementou nossa educação formal. No final, lembro as palavras de BP que disse que o mundo tem lugar para todos, menos para aqueles que não querem fazer nada”.

Trabalhamos para cuidar e amar o nosso próximo, porque acreditamos que como irmãos devemos ser fraternos, independente de credo, raça e nacionalidade. Através do método de BP nosso aprendizado se estende por toda nossa vida. Na esperança de resgatar nosso papel nesse mundo, e pelo direito de oportunidade de vida somos agradecidas pela homenagem”. Em seguida, houve a apresentação do coral Vozes do Outono, com a regência da maestrina Célia Cortez e acompanhamento do tecladista Aristóteles Silva.

História

Presente em 12 estados brasileiros, o Movimento Bandeirante realiza programas inovadores de educação não formal, visando o desenvolvimento de lideranças e de ações comunitárias, empoderando crianças e jovens para desenvolver as habilidades e a confiança necessárias para fazer mudanças positivas em suas vidas, comunidades e no país. O movimento, nascido no Inglaterra, é reconhecido por entidades nacionais e internacionais, devido sua contribuição para a formação de mais de um milhão e meio de crianças e jovens.

Os valores do Movimento Bandeirante estão contidos no Código Bandeirante, conjunto de normas e atitudes fundamentais à vivência do Bandeirantismo. Os valores institucionais são: o Amor, a Lealdade, a Verdade, o Respeito, a Solidariedade, a Liberdade, o Companheirismo, a Responsabilidade, a Reverência, o Otimismo, a Coragem e a Postura Ética.

O Escotismo e o Bandeirantismo foram criados pelo inglês Baden-Powell, conhecido carinhosamente pelos Bandeirantes e Escoteiros de todo o mundo como “B-P”. De família simples, Lord Robert Stephenson Smith Baden-Powell, filho de um professor e reverendo da Igreja Anglicana, Reverendo Baden Powell, e de uma professora primária e possuidora de grande talento para desenho e pintura, Henrietta Grace Smith, nasceu em Londres, Inglaterra, em 22 de fevereiro de 1857.

Em 1907, usando as técnicas que desenvolveu na guerra como tenente-coronel do Exército Inglês e com sua visão de vanguarda sobre educação, B-P iniciou o Movimento Escoteiro como uma “proposta para jovens que quisessem se preparar para a vida, viver aventuras e promover a paz”

O Movimento Bandeirante (MB) começa em 1909, na Inglaterra, quando durante a Reunião Escoteira do Palácio de Cristal, um grupo de moças com uniformes azul-marinho, chapéu scout, lenços, mochilas brancas e compridas meias pretas se apresentou a Baden- Powell. Surpreso com a presença feminina, B-P se dirigiu a elas. As moças se apresentaram e disseram que queriam também ter a oportunidade que os meninos estavam tendo.

B-P não pode recusar este pedido, afinal, já eram muitas as moças que começavam ler seu livro Escotismo para Rapazes e seguir os princípios do Escotismo. No entanto, Baden-Powell não propôs que o movimento para as meninas fosse apenas uma versão feminina do Escotismo, mas sim um movimento irmão ao Escoteiro. Isto é, um novo movimento com os mesmos princípios, mas que estivesse de acordo com as necessidades, possibilidades e interesses das meninas e moças naquele momento.

Desta forma, o nome escolhido por B-P para o movimento que começava a nascer foi Girl Guides (Meninas Guias, em inglês). Que traz a imagem daqueles que abrem caminhos, que vão à frente, e abrem passagem para outros. Para criar este novo movimento, B-P pediu a ajuda de sua irmã Agnes Baden-Powell. Ela se animou muito com a ideia e escreveu o primeiro livro para as Girl Guides chamado “The Girl Guide Handbook or How Girl Can Help to Build the Empire” (O Manual das Girl Guides ou Como podem as Meninas Ajudar a Construir o Império – isto é, o Reino Unido).

Posteriormente Baden-Powell publica outro livro chamado Girl Guiding (Guidismo, ou Bandeirantismo, como chamamos aqui no Brasil) no qual apresenta entre outras coisas, a Promessa e o Código Bandeirante – os fundamentos do Movimento. Agnes foi fundamental para o nascimento do Guidismo. Ela era uma mulher muito ativa, cheia de ideias e habilidades. Agnes trabalhou muito para o crescimento do Método Bandeirante, escreveu panfletos de esclarecimento aos pais, propôs, junto ao seu irmão, o uniforme próprio para as meninas, entre outras coisas que foram criando a identidade do Movimento das Girl Guides.

Em 1912 é fundada a Associação Mundial das Girl Guides, da qual Agnes Baden-Powell se tornou a 1ª Presidente. Assim, oficializou-se o movimento, que se expandiria por todo o mundo. No entanto, o ano que marca o nascimento do Bandeirantismo permanece sendo 1909 – graças à ousadia das meninas no Palácio de Cristal e a prontidão de B-P em pensar um movimento para as meninas e moças junto a sua irmã mais nova.

Logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, Olave Baden-Powell enviou uma carta ao Brasil, propondo a fundação do Movimento das Girl Guides no país. Sr. Barclay, amigo de Olave que viajava para o Rio de Janeiro a negócios, se responsabilizou pela correspondência, e a entregou nas mãos da família Lynch. No dia 30 de maio de 1919, a senhora Adéle Lynch promoveu uma reunião em sua casa com autoridades e senhoras interessadas no Movimento. Entre os convidados estava May Mackenzie, canadense residente no Brasil que já havia participado do movimento na Inglaterra, e Jerônyma Mesquita, cunhada do Sr. Lynch e conhecida por trabalhos educacionais e sociais.

O Movimento das Girl Guides se apresentava como uma proposta de educação pioneira, por acreditar na importância da mulher em assumir um papel mais atuante nas mudanças da sociedade. Essa característica cativou as pessoas que estavam na casa da Sra. Lynch, como Jerônyma Mesquita, que dedicou sua vida ao Bandeirantismo e foi homenageada com o título de Chefe Fundadora do Movimento Bandeirante brasileiro.

Surgia a Associação das Girl Guides do Brasil (primeiro nome da instituição). Em 13 de agosto de 1919, realizou-se a cerimônia de promessa das 11 primeiras bandeirantes brasileiras – data oficial de fundação do Movimento Bandeirante no país.

Com o início do processo de expansão, a Chefe Jerônyma Mesquita, solicitou ao professor Jonathas Serrano um nome nacional às Girl Guides. Este buscou na história do Brasil o sentido adequado a ideia original de B-P, e escolheu o nome “Bandeirantes” que significa “aqueles que abrem caminhos” e a instituição adotou o nome na época de Federação das Bandeirantes do Brasil.

O Movimento Bandeirante foi se solidificando e se expandindo, e chegou a outros Estados do Brasil, assim como a outros grupos sociais. A década de 1940 é marcada pela integração e intercâmbio entre as Regiões (hoje chamadas Estados). As Bandeirantes começam a viajar

pelo Brasil e criar uma unidade nacional entre as meninas.

A atual sede nacional do Movimento Bandeirante, no Rio de Janeiro, foi inaugurada em 19 de março de 1959, com a presença do então Presidente da República, Juscelino Kubitschek. Foram 15 anos de grande empenho e mobilização para que a obra pudesse ser concluída, e muitos ajudaram nesta construção, com pequenas ou grandes contribuições.

Os 100 anos de história do Movimento Bandeirante devem-se à dedicação, persistência e amor ao Bandeirantismo dos seus personagens. Uma história que começou em 1919, com a chegada da carta de Olave Baden-Powell, e é construída todos os dias pelas crianças, adolescentes, jovens. Esse é o verdadeiro espírito Bandeirante: a juventude.

Em Fortaleza, o Núcleo Bandeirante tem sede na Escola Municipal José Dias Macedo, situada na Rua Nunes Valente, 809, bairro Meireles. Realiza suas reuniões aos sábados das 14h30 às 17 horas.

Fotos: André Lima