CMFor debate atendimento à pessoa autista pelo plano de saúde Hapvida

05/02/2024 - Andre Barbosa Pinheiro

A audiência foi presidida pelo autor do requerimento, vereador Bruno Mesquita (PL).

A Câmara Municipal de Fortaleza realizou na tarde desta segunda-feira, 5, uma audiência pública, para debater o atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pelo plano de saúde Hapvida. O debate foi presidido pelo autor do requerimento, vereador Bruno Mesquita (PL). Por meio de representante, a operadora afirmou que ouvirá as demandas e que disponibilizará novas unidades de atendimento aos pacientes.

Propositor da audiência, o vereador Bruno Mesquita ressaltou o objetivo do debate e justificou o momento após receber a demanda de famílias com membros portadores de TEA, atendidos pelo plano de saúde citado. “Esta audiência pública tem o objetivo de atender as famílias que estão sofrendo com algumas situações, colocadas pelo Hapvida. Muitas famílias nos procuram dizendo da situação, principalmente de fila de espera, e as crianças não estão fazendo o tratamento da maneira que é para ser”, enfatizou o vereador.

Vereador Bruno Mesquita, propositor da audiência

A diretora do Instituto Casa de Gui, Agnes Bezerra, destacou o relato de familiares das pessoas com TEA, que não estão sendo devidamente atendidas pelo plano de saúde em questão. “Diversas famílias alegaram dificuldade na marcação de consultas, descumprimento de liminares e, em especial, acerca de fila de espera para tratamento com as terapias multidisciplinares. A falta dessas terapias pode gerar danos irreversíveis. Elas são essenciais para garantir o desenvolvimento e as potencialidades das crianças. Hoje vamos debater esse tratamento pela operadora”, afirmou a diretora.

A presidente da comissão dos pais (Denúncia TEA), Suliane Peixoto, denunciou o descumprimento de decisão judicial por parte do Plano de Saúde em destaque e ressaltou o sofrimento das famílias penalizadas pela falta de atendimento do Hapvida. “É uma luta muito árdua. Tenho dois filhos autistas com síndrome rara, mas eu não que falar só em nome dos meus filhos, mas de cada mãe que se faz presente, que estão sem tratamento, sem acesso às terapias. É um sofrimento muito grande, o que as famílias vêm passando. O Hapvida, durante muitos anos, negligenciou meus filhos. Eles descumprem o tratamento do meu filho, mesmo com sentença transitada e julgada. Isso já vai fazer três anos”, relatou, emocionada.

A diretora executiva de Terapias Integradas do Hapvida, Márcia Ribeiro, ressaltou que ouviria as demandas dos presentes à audiência e destacou que o Hapvida contará com novas unidades de atendimento para contemplar as famílias dos clientes com TEA. “Hoje nós estamos aqui para escutar, para assumir um compromisso de construir uma história diferente a quatro mãos. Em nenhum momento a nossa intenção é gerar desassistência. A gente não é conivente com fila de espera. Nós vamos abrir quatro novas salas na Pereira Filgueiras para absorver essas famílias, temos mais duas unidades para ser inauguradas até o meio do ano. É hora da gente parar, olhar o que a gente fez de errado atrás e corrigir daqui pra frente”, afirmou a representante do Hapvida.

A audiência reuniu representantes de instituições que apoiam pessoas com TEA.

Além do parlamentar e das representantes institucionais já citadas, participaram da audiência, o vereador Eudes Bringel (PSB); a representante da Associação Cearense de Magistério, juíza Natália Almino Gondim; a coordenadora do Ciadi da Assembleia Legislativa do Ceará, Dra. Sásquia Vaz, representando a Dr. Cristiane Leitão; a representante do Instituto Casa de Gui, Michele Muniz; a vice-presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Ceará (OAB/CE), Cristina Rocha; a advogada em favor das crianças autistas para o tratamento no Hapvida, Fabíola Feijó; e a arquiteta do TEAdaptar, Valéria Nogueira.

Foto: ZeRosa Filho