Câmara concede a Medalha do Mérito da Cultura Lauro Maia ao dramaturgo Ricardo Guilherme

21/06/2022 - Marcelo Raulino

Ricardo Guilherme Vieira dos Santos, mais conhecido como Ricardo Guilherme, é ator, roteirista de cinema e TV, dramaturgo e diretor teatral, com uma teatrografia de mais de cem espetáculos realizados, em cinco décadas de atividade.

A Câmara Municipal de Fortaleza, em solenidade realizada no plenário Fausto Arruda, fez a entrega nesta terça-feira (21/06) da Medalha do Mérito da Cultura Lauro Maia, ao ator, dramaturgo, professor e diretor Ricardo Guilherme Vieira dos Santos, atendendo requerimento 7384/2021 de autoria da vereadora Larissa Gaspar (PT), aprovado por unanimidade pelo plenário da Casa Legislativa. A sessão foi presidida pela vereadora Larissa Gaspar em nome do presidente do Legislativo Municipal, Antônio Henrique. Mesa de honra foi formada pela defensora pública do estado do Ceará com atuação nos tribunais superiores, Mônica Barroso e pela presidente da TV Ceará, Moema Soares.

Em sua saudação aos presentes, a vereadora Larissa Gaspar destacou sua alegria em conceder a medalha Lauro Maia para Ricardo Guilherme, “que tem uma trajetória reconhecida por todos como defensor da Cultura e que recentemente chegou aos 50 anos só de teatro. É ator, dramaturgo, diretor e também professor, e por ele passaram muitos artistas que fazem a diferença. Conceder a ele essa medalha foi uma forma de dizer a ele nosso muito obrigado por tudo que tem feito pelas artes em nosso Estado, por todo seu legado”, disse.

Disse ter se emocionado ao ver uma peça teatral de Ricardo Guilherme sobre Frei Tito. “Mas teatro é isso, é a representação da vida, da arte, da história de um povo. Vivemos um período muito difícil para a Cultura atualmente, mas graças a luta de muitos foi criada a Lei Aldir Blanck que socorreu a classe artística. Te desejo vida-longa, que continue formando muitas outras gerações de artistas, atores e pessoas apaixonadas pelo teatro”, concluiu.

Após a entrega da medalha e o certificado da mesma, o homenageado fez seus agradecimentos: “O autor que dá nome a essa medalha tem composições marcantes, dos anos 40 e 50, que já estão em nosso consciente coletivo. Sua vasta obra traz a interface com o teatro. Eu já fui um Maia, pois é sobrenome de minha avó e de minha mãe. Mas o que nos conecta a Lauro Maia? de mente sana, mas vida quase insana, dionisíaca, matriz de grandes gerações, lenda vida, patrimônio da música brasileira, um dos inventores do carnaval de rua, inventor do balancê. Quanto a mim, nessas cinco décadas que trabalho, me interessa a biografia desses apolínios e inventores de ritmos e gêneros”, ressaltou.

Afirmou que todo artista tem essa inquietação de inventar e reinventar sua arte, abrindo trilha para o novo acontecer, “e é nessa tentativa de identidade que recebo essa Medalha. A vereadora Larissa e aos demais vereadores que aprovaram essa comenda, meus agradecimentos, que não é só para mim, mas todos que fazem teatro nessa cidade. Assim como todos nós do teatro temos a tentativa de se colocar no lugar do outro, ser o seu representante, todos que fazem o parlamento tem a missão de nos representar nessa cidade que foi criada pelo abraço que a água doce deu no mar. Esse chão do dragão e sede sediciosa do dragão, esse solo onde o sol acende a chama da terra da luz, essa cidade que nunca podemos voltar, pois na volta ela não é a mesma, cidade exilada da sua própria sombra, despatriada da sua própria história, que tento representar nos palcos do mundo, é uma cidade mais plantada em nós, que no chão,” enfatizou.

Disse que foi por essa cidade que criou um centro de pesquisa sobre o teatro, e nessas cinco décadas, com mais de 200 encenações, publicações, vem atuando na imprensa e publicado contos e outros textos. “Para um artista não basta apenas estar atualizado, procuro ser transitório. Espero que o Brasil volte a ser pais diversificado, sem desmatamento, sem garimpo, pesca ilegal, tráfico de drogas e de pessoas, sem o fascismo, fundamentalismo, sem oportunismo de corrupto, que o povo se insurja contra a violência, contra grileiros, pais que enfim, que não seja um país antiartista, para que a Medalha Lauro Maia possa reconhecer outros artistas, que contrariam expectativas para criar novas e revolucionarias perspectivas,” concluiu.

Perfil

Ricardo Guilherme Vieira dos Santos, mais conhecido como Ricardo Guilherme, é ator, roteirista de cinema e TV, dramaturgo e diretor teatral, com uma teatrografia de mais de cem espetáculos realizados, em cinco décadas de atividade, numa trajetória nacional e internacional que inclui um premio de dramaturgia concedido pela UNESCO em 1987. Ricardo Guilherme é professor, desde 1970, no Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceara (UFC), com experiência de ensino em diversas universidades da Europa, da África, da América Central e da América do Norte.

O agraciado também é fundador e professor de diversas disciplinas da Licenciatura em Teatro da UFC. Ademais, representou o Brasil em inúmeros festivais mundiais de teatro e congressos internacionais de encenação e dramaturgia. O celebre dramaturgo e, ainda, especialista em Comunicação Social e em Arte-Educação, reconhecido como Notório Saber em cursos de pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Nacional de Brasília (UnB).

Historiador, com livros sobre a história do teatro cearense, foi premiado pelo Ministério da Cultura, nos anos 1970, por seu trabalho como pesquisador. Contista, cronista e poeta, teve obra publicada pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, pela Fundação Cultural de Fortaleza e pela Fundação Demócrito Rocha. Jornalista-Colaborador desde 1978, com registro na Delegacia Regional do Trabalho, teve trabalhos de reportagem premiados pela Fundação Nacional de Artes Cênicas.

Outrosssim, Ricardo Guilherme integrou a equipe fundadora da Televisão Educativa do Ceará (hoje TVC) e da Radio Universitária. Demais disso, o agraciado, Ex-Vice Presidente da Federação Estadual do Teatro, acumula em seu impressionante currículo, a condição de produtor de programas de entrevistas e variedades — Na TV Ceara, Canal 5, de 1974 a 2014. O homenageado é criador do Museu Cearense de Teatro (1975), atual Doc-Teatro, da UFC, bem como organizador do Museu dos Teatros de Estudantes do Brasil, criado por Paschoal Carlos Magno (Rio de Janeiro, 1977).

A capacidade exponencial do agraciado destaca-se também por ser formulador da teoria e do método do Teatro Radical Brasileiro (1988), objeto de pesquisa de trabalhos acadêmicos, inclusive monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Foto: André Lima