Janeiro Branco reforça a importância de falar sobre saúde mental e a busca por acompanhamento profissional

07/01/2022 - Ana Clara Cabral

Em entrevista a psicóloga Elisabete Viana falar sobre a necessidade de superar os preconceitos em relação à saúde mental e como a adoção de alguns hábitos pode melhorar a qualidade de vida das pessoas

Com o tema “O mundo pede saúde mental!”, a campanha Janeiro Branco coloca em destaque o fortalecimento das ações voltadas para a saúde mental e como falar dessa questão envolve a vida em sociedade. Em conversa com a Agência Fortaleza, a psicóloga Elisabete Viana falou da importância da campanha na quebra de paradigmas relacionados ao tema.

“Começamos a mudar um pouco a cultura, chamar a atenção de algo que antes era desprezado, chamado de frescura, bobagem. Hoje sabemos que isso impacta muito a vida das pessoas na questão profissional e dos relacionamentos”, destaca a psicóloga Elisabete Viana.

Apesar da Campanha Janeiro Branco, a psicóloga afirma ainda a existência do preconceito com as questões emocionais. “O homem tem mais dificuldade de pedir ajuda, a maioria dos clientes na clínica ainda é de mulheres. É preciso falar, desmistificar a busca por ajuda na saúde mental”, diz.

Depressão e ansiedade

“Temos escutado nos consultórios muitos casos de depressão e ansiedade, trazendo como principal sintoma problemas com o sono, além de transtornos alimentares e dificuldade no cumprimento da rotina”, falou a psicóloga.

Elisabete lembra que às vezes a pessoa não sabe que está num quadro de depressão. “Ela simplesmente perde o prazer pela vida, perde o sentido, não consegue gostar de nada, sentir prazer em atividades que gostava antes. Quanto mais cedo você conseguir prestar atenção nos sinais que o corpo dá através da alimentação, rotina e sono, mais simples é o tratamento”.

Quais são as maneiras de melhorar a saúde mental no dia-a-dia?

Sono

Viana explica que o sono é necessário para o rendimento, produtividade, raciocínio e rotina. Segundo ela, as noites mal dormidas trazem irritabilidade e cansaço crônico. Na depressão, as pessoas podem sentir vontade de dormir muito ou perder completamente o sono. A ansiedade geralmente tira o sono, que pode estar demorando muito ou fragmentado.

Alimentação

“Uma boa alimentação é fundamental e contribui com a questão dos nutrientes que precisamos ingerir para o bom funcionamento da mente. É necessário prezar por uma alimentação rica, colorida e funcional. A Nutrição já caminha junto com a psicologia em algumas patologias para que através dos nutrientes a gente consiga ajudar o nosso corpo”, fala Elisabete.

Atividade Física

A psicóloga afirmou ser imprescindível. “Buscar alguma atividade para manter o corpo em movimento é bom para que o corpo consiga produzir hormônios prazerosos de forma natural, se regulando dessa forma.

Lazer

“Encontrar com os amigos, aprender um instrumento musical, uma leitura, escutar música, passear ao ar livre. “Depois do confinamento da pandemia, a demanda por questões psicológicas foi muito maior porque as pessoas foram tiradas de muitas coisas que davam prazer e eram significativas para a manutenção da saúde mental.

O que acontece sem o devido tratamento?

Se não tratar, os sintomas vão se acumulando. Segundo Elisabete, aumentam em intensidade e quantidade. “Primeiro é o sono, depois apetite, irritabilidade, dor de cabeça. Pode evoluir para gastrite, outros processos inflamatórios, patologias e dermatites que estão ligados à questão emocional”, ressalta Elisabete.

Ela destaca ainda: “os sintomas vão se desdobrando, o corpo vai chamando atenção da pessoa e sinalizando até que em algum momento seu corpo pare, como no caso de uma síndrome do pânico. O que antes era um detalhe, se tornou algo que inviabiliza a rotina. Vai precisar parar, tirar uma licença médica, tomar medicações, procurar médicos de outras especialidades para questões digestivas, neurológicas, psiquiátricas. Por isso, quanto antes cuidar, melhor”.

Foto: Banner da Campanha Janeiro Branco