Pesquisa da UFC conclui que medicamentos do coquetel anti-HIV não têm eficácia no tratamento da Covid-19

06/01/2022 - Cleonardo Dias

A pesquisa foi publicada no fim de 2021 no European Journal of Respiratory Medicine

Teste - Foto: EBC

Durante a pandemia do novo coronavírus algumas pesquisas vinham sendo realizadas na tentativa barrar o avanço da doença, e uma delas apontava para o uso promissor de medicamentos que compõe o coquetel antirretroviral utilizado contra o HIV. Mas uma recente pesquisa desenvolvida pela UFC concluiu que medicamentos que compõem o coquetel contra o vírus HIV não têm eficácia no tratamento da covid-19.

Segundo a pesquisa foram aplicados uma combinação dos fármacos tenofovir e emtricitabina, utilizados no tratamento de pessoas com o vírus da Aids, mas as substâncias não alteraram significativamente o quadro sintomático em pacientes com o novo coronavírus. O estudo foi desenvolvido pelo Núcleo de Biomedicina (NUBIMED), da UFC em parceria com outras instituições.

A pesquisa foi realizada com 227 pacientes que apresentavam suspeita de Covid-19, de intensidade leve a moderada entre novembro de 2020 a julho de 2021. Os pacientes foram encaminhados ao Hospital São José e divididos em três grupos. No primeiro grupo, 75 pacientes foram receitados com tenofovir, uma dose por dia de 300 mg. No segundo grupo, 74 pacientes receberam a mesma dose de tenofovir junto com uma dose de emtricitabina (200 mg/dia). O terceiro grupo foi formado por 77 pacientes tratados apenas com vitamina C (500 mg/dia). Os pacientes foram acompanhados por 10 dias.

De acordo com a instituição, os resultados da pesquisa mostraram que, a despeito das evidências preliminares, o tenofovir e a emtricitabina não geraram diferenças nos sinais e nos sintomas da doença em pessoas que receberam essas substâncias em relação ao grupo de pacientes que receberam apenas vitamina C.

O coordenador do NUBIMED e principal investigador do estudo, Prof. Aldo Ângelo Lima, ressalta alguns pontos sobre o estudo. “A pesquisa tem suas limitações e sugerimos novos estudos com protocolos diferentes, mas podemos afirmar que não há recomendação para o uso desses medicamentos no tratamento de pacientes com a covid-19”, disse. O pesquisador ainda enfatiza que novas pesquisas com pessoas em quadro clínico grave e com início do protocolo no terceiro ou quarto dia do aparecimento dos sintomas são recomendadas.

O estudo contou com a participação de pesquisadores do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN), da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (USP-Ribeirão Preto), da Faculdade de Medicina (USP-Ribeirão Preto) e da Rede Vírus, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Pesquisa publicada no European Journal of Respiratory Medicine.

Informações: Universidade Federal do Ceará

Foto: Empresa Brasileira de Comunicação