Legislativo debate a inclusão de lactantes no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19

10/06/2021 - Marcelo Raulino

Segundo Lúcio Bruno, essa pelo Movimento formado pelas mulheres lactantes.

A Câmara Municipal de Fortaleza realizou nesta quarta-feira (09) uma Audiência Pública virtual para debater a inclusão de lactantes no grupo prioritário de vacinação contra Covid-19 em Fortaleza. A encontro foi proposto pelo vereador Lúcio Bruno (PDT), que presidiu o momento. Participaram da Mesa dos Trabalhos a vereadora Larissa Gaspar (PT) e Caroline Rodrigues, do Movimento Lactantes pela Vacina. Participaram também da audiência a vereadora Cláudia Gomes (DEM) e a vereadora Enfermeira Ana Paula (PDT). Segundo Lúcio Bruno, essa audiência pública foi solicitada pelas mulheres lactantes.

Lúcio Bruno passou a a palavra para a vereadora Larissa Gaspar autora do Projeto 289/2021, que coloca as mães que amamentam nos grupos prioritários para receber a vacina contra Covid-19. “Eu tive o maior prazer de subscrever esse requerimento solicitando essa audiência. Sou mãe e sei o desespero e o medo de algo acontecer com nossos filhos. Ouvindo o clamor das mulheres, apresentamos esse projeto para colocar as mães nos grupos prioritários, entendendo a eficácia da vacina aplicada nas mulheres, pois o anticorpo é transferido pelo leite para o bebê, no mínimo, duas pessoas são imunizadas. O projeto foi para a CCJ, foi pedido vistas pelo vereador Gardel Rolim, creio que já deve ser devolvido,” disse.

Em seguida falou a vereadora Cláudia Gomes, presidente da Comissão de Saúde. “Estamos à espera que esse projeto seja aprovado o mais rápido possível, sabemos a necessidade, é urgente. Essas mulheres que estão nessa fase, elas devem estar imunizadas e mais tranquilas para amamentar. Contem comigo para aprovarmos esse projeto,” pontuou. O vereador Lucio Bruno destacou que existe o Plano Nacional de Imunização a nível federal e a CIB (Comissão Intergestores Bipartite) que definem as prioridades, mas isso não impede que os vereadores reivindiquem a inclusão de algumas categorias na prioridade da vacinação

Em seguida falou a vereadora enfermeira Ana Paula, que disse ser o tema de grande importância. “A Frente parlamentar que presido luta defende a imunização de todos e meu mandato considera essa pauta de vocês justa. Vocês passaram pela gestação, puerpério e agora estão no momento mais lindo que é a amamentação. É crucial para o desenvolvimento da criança essa fase, a mãe quando amamenta transmite o anticorpo IGA para a criança, por isso precisa de tranquilidade nesse momento. Parabéns pela iniciativa”.

Depois falou Caroline Viana, representando o Movimento das mães lactantes, disse que existe mortes por Covid-19 entre crianças e que as mães que doam leite e podem estar pulverizando o vírus se tiver contaminada. “Ela pega transporte público e pode estar levando o vírus para casa. Queremos vacinar também as crianças. Esse movimento surgiu do nosso desespero como mães em defender nossas crianças e trazer essa pauta e essa questão. Na Bahia e Paraná essa lei já foi aprovada. Não queremos tomar o lugar de ninguém, mas nós precisamos entrar no plano de imunização”, afirma.

Mais de 40 pessoas participaram da audiência pública, o vereador Lúcio Bruno abriu então a palavra para a plenária virtual com tempo de 3 minutos para os pronunciamentos. A primeira a se pronunciar foi Géssica Viana. “Essa luta é baseada na vontade de proteger os nossos filhos, não estamos buscando por nós mesmas. Temos vários fatores que justificam essa prioridade, mas não estamos conseguido ser ouvidas. Lutamos pelo direito e imunizarmos os nossos filhos, antes que seja tarde. Agradeço os vereadores por esse espaço”, frisou.

A fala seguinte foi de Ligia Holanda que atentou para a questão da doação de leite. “Quando minha filha Alice nasceu foi na semana do auge da primeira onda da pandemia. No início foi muito estresse e não consegui amamentar e ela teve que receber doação de leite. Depois consegui amamentar e hoje sou doadora. Na MEAC nos momentos mais difíceis da pandemia foi quando houve mais doações de leite. Imagine se as mães forem vacinadas, com certeza aumentará mais as doações e esse leite estará imunizando outras crianças tambem,” ressaltou.

Em seguida Thalia Araújo agradeceu as mulheres que estão a frente do Movimento das Lactanrtes. “Um dos meus maiores sonhos é conseguir ser vacinada. Sou também doadora de leite. No momento que passamos a doar leite estamos doando vidas e imunizando outros bebês”.  Já Samara Coelho agradeceu o vereador Lúcio Bruno pela audiência e a vereadora Larissa Gaspar por ter entrado com o projeto, “é muito importante sermos ouvidas. Nós que estamos desde o início nessa luta, a gente percebe que existem diversos estudos científicos que mostram que a mãe vacinada imuniza também seu bebê, através do leite. Não me sinto confortável de sair com ele. ou leva-lo para uma consulta. A mulher já é vulnerável. Não existe lógica as mulheres que amamentam estarem fora dos grupos prioritários,” comentou.

O vereador Lucio Bruno lembrou que diversos estados já aprovaram essa prioridade para lactantes na vacinação contra Covid-19, entre eles, a Bahia (Salvador e Ilhéus), Piauí, Paraná. Pernambuco e Mato Grosso. “Portanto, não estaremos criando nada novo, é uma reivindicação justa. Vocês são prioridades em quase tudo, menos na vacinação? Não é justo!”, avaliou. Falaram, ainda, as mães Léa Vieira e Brena Rebouças

Tramitação

No final o vereador Lúcio Bruno agradeceu a presença de todos na audiência pública virtual e deu esclarecimentos sobre a tramitação do projeto de lei ordinária 289/2021 de autoria da vereadora Larissa Gaspar que torna as mães que amamentam parte dos grupos prioritários para receber a vacina contra Covid, “O projeto foi lido no plenário e encaminhado a CCJ e quando íamos votar o líder do Governo pediu vistas. Essa é uma prerrogativa de qualquer vereador para entender melhor o projeto; Ele tem o prazo de quatro sessões ordinárias para devolver. Hoje, o projeto está ainda no pedido de vistas. O que vou fazer é consultar se o prazo da vista passou ou não e caso tenha passado puxo o mesmo para votação na CCJ, sendo aprovado vai para a comissão de mérito que é a de Saúde; Aprovado vai para o plenário ser votado. Caso aprovado e sancionado pelo prefeito, vamos cobrar da CIB (Comissão Intergestores Bipartites) para priorizar as mãezinhas”, concluiu.

Imagem: André Lima