Nutrição é uma arma eficaz para recuperação de pacientes com Covid-19

29/03/2021 - Marcelo Raulino

As equipes médicas dos hospitais públicos contam com nutricionistas que têm realizado esse trabalho, estudando caso a caso, os cuidados que se devem ter com os pacientes.

Um dos setores mais importantes no cuidado com pacientes com Covid-19 é a Nutrição. A boa alimentação pode ser uma ferramenta importante para combater algum déficit nutricional, ampliar a imunidade e fortalecer o organismo que está combatendo o vírus invasor. As equipes médicas dos hospitais públicos contam com nutricionistas que têm realizado esse trabalho, estudando caso a caso, os cuidados que se devem ter com os pacientes.

No Hospital São José (HSJ), da Rede Pública Estadual, a equipe avalia cada paciente internado e define o tipo de dieta e o modo de preparo dos alimentos, selecionados com base em critérios específicos. Conforme, a nutricionista Francisca Maria da Silva, ao dar entrada na unidade, o paciente é submetido a uma triagem nutricional, onde é observada a terapia de nutrição adequada para ele. Os profissionais avaliam se existe algum déficit nutricional ou alguma comorbidade, como diabetes, obesidade e hipertensão.

Ela observa que nos casos de comprometimento pulmonar e insuficiência respiratória, é recomendada dieta líquida, pois o alimento sólido pode gerar um esforço maior. Os nutricionistas também questionam o paciente sobre suas preferências e restrições alimentares, além de verificar possíveis dificuldades de deglutição.

Para pacientes com quadro leve da doença, o recomendável na maioria das vezes é que não haja restrições. Já nos casos moderados, a depender do comprometimento respiratório e do suporte ventilatório, a dieta também pode ser líquida e pastosa. E nos casos graves os pacientes, normalmente, passam a receber a chamada nutrição enteral, na qual a alimentação é realizada por tubo ou sonda flexível. Nesses casos para evitar uma perda muscular significativa, a alimentação pode amenizar a redução de massa magra.

Com relação a pronação nos pacientes com Covid (dormir de bruços) existe o risco de broncoaspiração, que é quando o alimento migra para pulmão. Segundo a nutricionista, esse risco impõe uma limitação para a nutrição enteral conseguir atingir as necessidades energéticas e proteicas calculadas a partir do peso e da altura de cada indivíduo e, com isso, manter o funcionamento do metabolismo.

Francisca Maria destaca, ainda, a atuação da equipe para prevenir a translocação bacteriana nos pacientes. Quando este problema ocorre, as bactérias migram do intestino para a corrente sanguínea, ocasionando sepse (infecção no sangue). “Para evitar a translocação bacteriana, os nutricionistas indicam o início precoce da dieta enteral, entre as primeiras 24 e 48 horas da internação. Lembrando que, para ser submetido à terapia, o paciente deve apresentar estabilidade hemodinâmica, ou seja, uma pressão normal”.

Pós-Covid

Para os nutricionistas Ana Marta Ximendes e Daniel Campelo, que atuaram no Hospital Leonardo da Vinci, a nutrição adequada pós-Covid 19, também é uma grande aliada para a recuperação eficaz do paciente, principalmente entre aqueles que foram hospitalizados, em que geralmente apresentam mais sequelas. “A alimentação deve ser a mais variada possível, incluindo diariamente frutas, verduras, legumes, sementes e oleaginosas (castanha, nozes dentre outros)”, afirma Ana Marta. Ela observa que a ingestão de alimentos fontes de nutrientes como vitamina C, magnésio e zinco também auxiliam no bom funcionamento do sistema imunológico.

Já Daniel Campelo observa que a maioria dos pacientes apresenta perda de peso, principalmente de massa magra (músculo), portanto não deve pular as refeições, e incluir no cardápio fontes proteicas como peixes, ovos, queijos e leite. “É comum que alguns sintomas como anosmia (perda do cheiro), disgeusia (perda do sabor) e inapetência (sem fome) perdurem após a Covid-19, mas mesmo assim, o paciente deve se alimentar. Aumentar o fracionamento da dieta é uma boa opção para aqueles que não apresentam fome. E por último e não menos importante, é necessário hidratação. A boa nutrição é de suma importância nesse período de recuperação”, conclui o nutricionista.

Foto: Diego Sombra – Ascom HSJ