Covid-19: estudo revela que crianças produzem anticorpos diferentes dos adultos

09/11/2020 - Cleonardo Dias

A pesquisa indica que esse fator pode ajudar a entender os motivos de geralmente as crianças não terem sintomas graves da Covid-19

Após o surgimento dos primeiros casos de Covid-19 no mundo, muitas dúvidas estão sendo esclarecidas por cientistas e pesquisadores. Uma delas é sobre a baixa incidência da doença em crianças, onde ainda no mês de março, as evidências científicas apontavam que a doença parecia afetar as crianças com menos frequência e menos gravidade do que em adultos. Já em recente pesquisa comparativa realizada pela Universidade Columbia, de Nova York, sugere que crianças têm uma resposta imunológica mais fraca e podem eliminar o vírus antes que ele tenha a chance de causar estragos no corpo.

A pesquisa pode comprovar que o sistema imunológico das crianças reage de maneira mais eficiente e produz menos anticorpos contra uma proteína que o novo coronavírus usa para infectar células humanas. Ao contrário dos adultos, onde apresentam uma resposta exagerada do sistema imunológico podendo ser um dos principais fatores para o agravamento da doença.

Segundo Donna Farber, imunologista da Universidade Columbia, a característica imunológica das crianças atua em todas as doenças. “As crianças têm uma adaptação única ao encontrar um patógeno pela primeira vez. É para isso que o sistema imunológico delas foi projetado. As crianças têm muitas células de defesa ingênuas que são capazes de reconhecer todos os tipos de novos patógenos, enquanto as pessoas mais velhas dependem mais das memórias imunológicas. Não somos tão capazes de responder a um novo patógeno como as crianças”, explicou.

Os pesquisadores ainda apontaram no estudo que uma parcela das crianças sofre com o que chamam de “síndrome inflamatória multissistêmica”, podendo evoluir para quadros mais graves da doença. O agravamento apresenta semelhanças como a síndrome de Kawasaki, que causa problemas cardiovasculares.

Indo ao encontro das análises feitas pelas pesquisas, no Estado do Ceará, segundo dados da plataforma IntegraSUS, é possível verificar um baixo número de contágio entre crianças entre zero a 14 anos, onde 17.718 foram infectadas. Ao todo entre crianças e adultos já foram confirmados 278.608 casos da doença com 238.687 casos recuperados. Os dados apresentados foram divulgados pela plataforma às 9h40min desta segunda-feira (9).

Imagem: Plataforma IntegraSUS

A Sociedade Brasileira de Pediatria apresenta algumas dicas importantes de como proteger as crianças nesta pandemia.

  • Lavar as mãos com frequência usando água e sabão em quantidade suficiente e de maneira adequada (entre os dedos, palma e dorso das mãos, esfregar as unhas, estendendo a lavação até os punhos) ou, caso não seja possível lavar as mãos em algumas situações, utilizar desinfetante a base de álcool gel;
  • Evitar contato com pessoas doentes (que estejam com algum sintoma como tosse, espirros ou febre);
  • Limpar e desinfetar diariamente as superfícies de toque frequente nas áreas comuns da casa (por exemplo, mesas, cadeiras de encosto alto, maçanetas, interruptores de luz, controles remotos, banheiros, pias);
  • Lavar objetos e brinquedos, incluindo os de pelúcia laváveis.

Informações: IntagraSUS, Saude.IG e Sociedade Brasileira de Pediatria

Foto: Evilázio Bezerra