Aborto e parto prematuro estão entre as complicações enfrentadas pelas gestantes com Covid-19

13/10/2020 - Rochelle Nogueira

Segundo pesquisa realizada nos Estados Unidos, as gestantes com coronavírus têm maior probabilidade de ter parto prematuro ou sofrerem aborto espontâneo

Gabriela Fiúza, jornalista, 34 anos, passou pela experiência de ter Covid-19 durante a gravidez. Ela conta que com 29 semanas de gestação, começou a sentir dor na garganta e perdeu o paladar e o olfato. Os sintomas acenderam o sinal de alerta da jornalista. “Busquei rapidamente ajuda da minha ginecologista. Ela me indicou fazer o teste para a Covid-19 e o resultado foi positivo. Nesse momento de incertezas, meu psicológico ficou muito abalado”, disse.

Após ter passado pelo período de isolamento social, ter tido os sintomas mais presentes nos 3 primeiros dias, Gabriela ficou curada da enfermidade. 4 semanas após ter sido infectada, quando estava com 33 semanas de gestação, ela entrou em trabalho de parto prematuramente. “Senti um leve desconforto abdominal e fui para a maternidade. O médico disse que estava em trabalho de parto, com dilatação 2. Na mesma hora ele me internou e buscou métodos para paralisar as contrações”, contou Gabriela.

Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos e publicada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças do país, apontam que as gestantes com coronavírus têm maior probabilidade de ter parto prematuro ou sofrerem aborto espontâneo, em comparação com mulheres sem a doença. Restrição de crescimento, óbito fetal intraútero, complicações são exemplos que estão relacionados à infecção das gestantes com a Covid-19. O estudo ainda precisam ser aprofundados.

600 mulheres com Covid foram pesquisadas, estando com ou sem sintomas, no período entre março e agosto deste ano e com idade de 18 a 45 anos. Apesar de cerca de 70% a 80% das mulheres grávidas serem assintomáticas, as que apresentam sintomas, variam dos casos mais leves, como perda de olfato, alteração de temperatura, a casos mais graves como diminuição da oxigenação e dificuldade para respirar.

A ginecologista obstetra Mayna Moura, reforça que as mudanças fisiológicas no organismo da gestante e da puérpera levam a uma predisposição a infecções graves, inclusive respiratórias, e as alterações anatômicas reduzem sua tolerância à hipóxia. Grávidas em qualquer idade gestacional (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal) compõem a população com condições e fatores de risco para possíveis complicações da Síndrome Gripal.


No Ceará, por exemplo, do início da pandemia até setembro, 28 mulheres gestantes e puérperas já chegaram a óbito. “O momento ainda é de cuidado e alerta sobre os sinais e sintomas respiratórios: tosse, dor de garganta, dificuldade respiratória, ou falta de ar, sintomas gastrointestinais (diarreia, náusea ou vômito) e perda de olfato ou paladar associados a febre com temperatura a partir de 38 graus, ou sensação febril. Todas as gestantes e puérperas que apresentem tais sintomas, devem procurar atendimento médico”, disse.

A ginecologista evidencia que o alerta torna-se mais importante quando a gestante for portadora de alguma comorbidade, como diabetes, obesidade, doenças cardíacas ou respiratórias. Além disso, a manutenção dos cuidados com a higienização das mãos e utensílios, uso de máscara e evitar aglomerações também são importantes no cuidado dos recém-nascidos.

Foto: EBC