Mulheres grávidas infectadas por Covid-19 não transmitiram a doença para os óvulos, sugere estudo

09/10/2020 - Cleonardo Dias

A pesquisa espanhola estudou 16 óvulos de duas mulheres submetidas a estimulação ovariana controlada.

Desde que os primeiros casos da Covid-19 apareceram no mundo, a sociedade médica e autoridades sanitárias vem procurando medidas eficazes para o controle da doença. Muito já se descobriu sobre a ação do novo coronavírus no organismo, mas ainda restam algumas dúvidas, e uma delas é se o vírus pode infectar os óvulos.

Para contribuir com essa discussão, um estudo pioneiro realizado no campo da reprodução assistida por pesquisadores do Laboratório Eugin, de Barcelona, sugere que o vírus da Sars-CoV-2 não consegue penetrar nos óvulos, evitando as chances de transmissão da mãe para o feto. Isso era uma das principais preocupações acerca dos tratamentos de reprodução assistida durante a pandemia sobre a possibilidade da transmissão vertical da Covid-19 através de gametas e embriões.

Na ocasião, os pesquisadores coletaram 16 óvulos de duas mulheres diagnosticadas com o novo coronavírus que estavam em fase assintomática. Submetidas a estimulação ovariana controlada, a pesquisa pode comprovar que os gametas femininos analisados não tiveram a presença do RNA da Sars-CoV-2. Mesmo em meio a pandemia a pesquisa espanhola lança uma nova perspectiva de retomada dos tratamentos de fertilização in vitro (FIV).

Eduardo Motta, diretor do Grupo Huntington, que integra o Grupo Eugin, fala sobre a importância do estudo. “Estudaram se o vírus produziu o gene N, que é uma proteína do núcleo do vírus que ele produz, e o gene não existia. Se não tem o gene dentro dos óvulos, aparentemente o vírus não foi por ali. E também não viram aqueles receptores e essas proteínas, que facilitam a entrada do vírus, ocupados por pedaços dele”, explicou.

Já sobre a transmissão dentro do útero, recentes publicações científicas têm mostrado que a maioria dos bebês que nascem de mulheres com Covid-19 não estão infectados. Cientistas continuam investigando se existe a possibilidade de contaminação durante a gestação e, se sim, por quais mecanismos isso ocorre. A transmissão por meio da placenta é uma das principais apostas da classe científica.

Aleitamento materno não transmite Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que as mães com suspeita ou contaminadas com o novo Coronavírus podem amamentar seus filhos normalmente. Segundo a OMS, os benefícios da amamentação superam qualquer risco potencial de transmissão da covid-19 e as mães só devem interromper a amamentação caso sintam-se mal em decorrência dos sintomas da doença.

O leite materno fornece a todos os bebês água, todos os nutrientes e anticorpos que os mantêm saudáveis e ajudam a protegê-los de muitas infecções. O leite materno aumenta a imunidade do bebê e previne infecções.

Precauções na hora de amamentar:

  • Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos antes e depois de tocar o bebê;
  • Usar máscara facial de pano ou cirúrgica (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação;
  • A máscara deve ser imediatamente trocada em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada. A máscara cirúrgica não deve ser reutilizada, colocada em saco plástico, fechar e descartada adequadamente. As máscaras de pano devem ser de uso individual e bem lavadas com água e sabão ou colocadas de molho em solução de água sanitária diluída em água.
  • Evitar que o bebê toque seu rosto, especialmente boca, nariz, olhos e cabelos;
  • Lavar as mamas apenas se você tossir ou espirrar em cima delas. Caso contrário não precisam ser lavadas antes de cada mamada.

Informações: Organização Mundial de Saúde (OMS)

Foto: Agência Brasil