Covid persistente pode prolongar sintomas da doença, afirmam estudos científicos

08/10/2020 - Marcelo Raulino

O chamado “Covid persistente” têm deixado muitas pessoas debilitadas devido as consequências de longo prazo da infecção.

Fadiga, episódios de falta de ar, tosse, dores no corpo, dores de cabeça, perda de olfato e paladar, surgimento de doenças como diabetes e até reincidência de algumas que só acometem as pessoas uma vez. Esses são alguns dos chamados “sintomas persistentes” relatados por pessoas que foram acometidas pela covid-19 e mesmo assim permanecem sentido sintomas da doença. Esse fenômeno os médicos estão chamando de “covid persistente”.

O casal Fabiano e Magnólia Marques, por exemplo, foram acometidos por covid-19 em abril passado. Eles fizeram o tratamento em casa, com acompanhamento médico, e se curaram. Mas para surpresa deles, cinco meses depois pegaram catapora. O inusitado é que os dois já tiveram essa doença no passado. “Minha esposa estava fazendo uns exames para realizar uma cirurgia e mostrou à medica umas bolhas que estavam aparecendo no corpo dela e a médica afirmou que era catapora. Eu também estava com bolhas no corpo. Então estranhamos, mas o exame mostrou que temos os anticorpos da Catapora no corpo ainda, mas mesmo assim fomos acometidos”, afirmou.

Para o médico infectologista Keny Colares, as manifestações mais prolongadas da covid têm sido retratadas em trabalhos de pesquisa cientifica publicados em escala mundial. “Já começam a considerar que o covid prolongado seria aquele que depois de três semanas da doença, ou seja, do começo da doença a pessoa não está assintomática. Já na quarta semana da doença a pessoa continua tendo os sintomas. Os primeiros trabalhos estimam que cerca de 10% dos indivíduos ainda vão estar com os sintomas após três semanas de iniciado o quadro, mas a maioria parece se recuperar”, afirma.

Observa que alguns outros trabalhos que mostram uma prevalência maior da persistência dos sintomas da covid de até 30 dias, e em alguns casos de 60 dias. Destaca, ainda, outro estudo que apresenta a proporção de 10 a 20% dos indivíduos com algum tipo de sintoma prolongado. “É algo novo, não conhecemos muito bem. Os sintomas mais comuns são fraqueza. A pessoa reclama de indisposição, as vezes um pouco de falta de ar. A pessoa está bem e quando vai fazer alguma atividade, parece ficar mais cansada do que o que ocorre costumeiramente. As vezes dores no corpo, persistência de tosse, essas são os principais sintomas relatados pelos pacientes. Agora, porque isso ocorre com algumas pessoas e com outras não e se isso vai se prolongar por quanto tempo, nós não sabemos ainda”, asseverou.

O chamado “Covid persistente” têm deixado muitas pessoas debilitadas devido as consequências de longo prazo da infecção. Tudo relacionado a covid-19 ainda está na margem da incerteza. A cada dia os especialistas são surpreendidos com uma nova descoberta deixando um mar de incertezas na comunidade cientifica e em toda população. Há relatos inclusive de surgimento de transtornos mentais, depressão, ansiedade e confusão mental. Os sintomas permanentes não ocorrem apenas em pacientes que tiveram sintomas graves e mesmo os que tiveram a infecção branda correm o risco de ter problemas de saúde.

De acordo com um estudo realizado no maior hospital de Roma. com 143 pacientes e publicado no Journal of the American Medical Association, 87% deles tinham pelo menos um sintoma de covid quase dois meses depois da internação, e mais da metade ainda apresentava fadiga. O aplicativo Covid Symptom Tracker — usado por cerca de quatro milhões de pessoas no Reino Unido — descobriu que 12% das pessoas ainda apresentavam sintomas após 30 dias. Seus dados mais recentes, não publicados, sugerem que até 2% de todas as pessoas infectadas apresentam sintomas de covid persistente após 90 dias.

Uma das teses, que não tem comprovação cientifica é que os pacientes que continuam com sintomas mesmo após a cura, é que mesmo o vírus tendo sido eliminado da maior parte do corpo,  ainda permanece no organismo.  Outra hipótese é que o sistema imunológico não retorna ao normal após covid e isso provoca problemas de saúde. A covid pode, ainda, alterar o metabolismo das pessoas. Há relatos de pacientes que desenvolveram diabetes como resultado da covid. Existem sinais também de alteração no cérebro, mas isso ainda está sendo investigado.  No sangue, há casos de coagulação anormal e danos à rede de tubos que transportam o sangue

Conselhos

O sistema de saúde do Reino Unido (NHS) recomenda os “três Ps” para conservar energia: Pace (ritmo em inglês), ou seja, controle seus esforços e certifique-se de ter bastante descanso; Planeje seus dias para que suas atividades mais cansativas sejam distribuídas ao longo da semana e priorize o que você precisa fazer e o que pode ser adiado.

Foto: Mateus Dantas