Pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz mostra efeitos da infecção do novo coronavírus nas células

05/10/2020 - Marcelo Raulino

Nas imagens captadas, que foram ampliadas em até 200 mil vezes, são observados diversos prolongamentos de membrana nas células infectadas que se conectam com as células vizinhas.

Por intermédio de imagens obtidas através de um sistema de microscopia de alta resolução, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) registraram os efeitos da infecção pelo novo coronavírus nas células das pessoas infectadas. O estudo é feito em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Através das imagens é possível verificar que as células infectadas apresentam prolongamentos de membrana, chamados de filopódios, que formam conexões intercelulares. Para os pesquisadores, essa alteração pode ser uma das estratégias do vírus para ampliar a infecção.

De acordo com a pesquisadora Débora Ferreira Barreto Vieira, do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do IOC/Fiocruz, coordenadora da pesquisa., os prolongamentos de membrana participam do processo de liberação das partículas virais que se replicam no interior das células infectadas. Débora pontua que elas também promovem comunicação intercelular, que pode estar relacionada com a transferência de partículas virais para as células adjacentes, maximizando, assim, o processo de infecção.

Nas imagens captadas, que foram ampliadas em até 200 mil vezes, são observados diversos prolongamentos de membrana nas células infectadas que se conectam com as células vizinhas. Outra constatação das imagens é que muitas partículas virais podem ser vistas na superfície celular, inclusive sobre os filopódios. Débora argumenta que os prolongamentos de membrana são causados por alterações do citoesqueleto celular, provocadas pela infecção. Ela argumenta que são poucos os vírus que causam esse tipo de alteração em células, entre eles, o ebola e Marburg. Assegura, no entanto, que esse processo que leva as células a ter esse tipo de alteração na infecção pelo Sars-CoV-2 ainda é uma questão indefinida que precisa ser melhor investigada.

A pesquisa utilizou células Vero, derivadas de rim de macaco que são comumente utilizadas em pesquisas que tratam de virologia. As imagens captadas resultam de estudos preliminares do projeto de pesquisa ‘Estudo da morfologia, morfogênese e patogênese do Sars-CoV-2 em sistemas in vitro, in vivo’, que vem sendo executado em parceria com o Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral e o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz.

As imagens foram captadas com um microscópio de alta resolução de feixe triplo de íons, em cooperação com os pesquisadores Bráulio Archanjo e William Silva, do Laboratório de Microscopia Eletrônica do Inmetro.

Momento da Transmissão

Outro estudo realizado, também com imagens de microscopia eletrônica de transmissão, mostrou, em detalhe, o momento exato em que uma célula é infectada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). O registro, inédito no Brasil, foi obtido durante estudo que investiga a replicação viral do SARS-CoV-2, conduzido pelos pesquisadores Débora Barreto e Marcos Alexandre Silva, do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral, e Marilda Siqueira, Fernando Mota, Cristiana Garcia, Milene Miranda e Aline Matos, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo.

Imagem: LMMV/IOC/Fiocruz, LVRS/IOC/Fiocruz e Nulam/Inmetro