Infectologista não recomenda viagens internacionais, mesmo com a flexibilização

05/10/2020 - Ana Clara Cabral

Segundo infectologista, o risco de infecção é maior em viagens internacionais.

Famílias que tiveram o sonho de uma viagem internacional adiado por causa da pandemia da Covid-19 devem esperar ainda mais para concretizar. É o que diz o consultor em infectologia da Escola de Saúde Pública do Ceará e médico infectologista do Hospital São José de Doenças Infecciosas, Keny Colares.

Segundo o infectologista, há muitos riscos a serem considerados, mesmo com a flexibilização. “No Nordeste estamos em redução no número de casos, diferente de outras regiões do Brasil. Nos países da Europa, por exemplo, que costumam atrair muitos turistas, estão vivendo uma situação compatível com uma segunda onda da doença”, disse.

A previsão dos principais pesquisadores, de acordo com Keny Colares, é de que as ondas fiquem percorrendo o globo provavelmente durante o ano de 2021 todo. “A vacina deve se tornar uma realidade disponível para a maior parte das pessoas até o final de 2021 e início de 2022. A expectativa é de que ela seja parcialmente protetora, reduzindo a 50% ou 60% a chance de infecção”, informou.

Ele explicou também que esta é uma estimativa grosseira, já que não temos nenhuma vacina até agora confirmada. E além disso, talvez sejam vacinas imperfeitas, que precisarão de mais tempo para saírem melhores”.

Keny Colares lembra que o risco de infecção é maior em viagens, levando em consideração as horas dentro da aeronave (a depender do local), um ambiente fechado. “Uma das coisas que aumenta muito risco de transmissão. Se uma pessoa dentro do avião estiver contaminada poderá contaminar outras dezenas do mesmo voo”, falou.

“Além disso, pode acontecer de chegar no outro país e estar acontecendo um aumento do número de casos. Ficar doente fora de casa é muito difícil, mesmo com a existência dos atuais seguros. A pessoa que adoecer não conseguirá embarcar de volta para casa, nesse caso”.

Para finalizar, o consultor em infectologia sugere que as viagens continuem sendo adiadas: “é preciso levar em consideração o nível de risco, se a pessoa for de idade avançada ou tiver algum fator agravante, também se há uma necessidade de trabalho ou oportunidade inadiável nesse sentido. Se for para lazer, vale a pena deixar para depois, seria mais prudente”.