Neurologista explica que não há risco em medir temperatura pela testa

04/09/2020 - Cleonardo Dias

Em tempos de pandemia o volume de informações divulgadas na internet tem impulsionado as “Fake News”. Em uma dessas publicações, um vídeo afirma que a utilização do termômetro digital infravermelho na testa é capaz de destruir a glândula pineal causando problemas à saúde. A neurologista do Hospital Otoclínica, Fabrícia Carneiro, destaca o fato como absurdo. […]

Em tempos de pandemia o volume de informações divulgadas na internet tem impulsionado as “Fake News”. Em uma dessas publicações, um vídeo afirma que a utilização do termômetro digital infravermelho na testa é capaz de destruir a glândula pineal causando problemas à saúde. A neurologista do Hospital Otoclínica, Fabrícia Carneiro, destaca o fato como absurdo.

A profissional esclarece que não existe comprovação sobre possíveis danos à glândula pineal. “Essa é uma glândula que está anatomicamente bem protegida no centro do cérebro fazendo parte do sistema endócrino. As ondas do termômetro não são capazes de chegar à glândula e destruí-la. Elas são capazes apenas de medir as ondas de calor na pele numa distância recomendada de até 50cm”, explicou.

A doutora Fabrícia ainda esclareceu que o equipamento de medição de temperatura em questão, já é utilizado no meio médico há bastante tempo com autorização da Anvisa e demais órgãos internacionais de fiscalização. “Nunca houve nenhum relato a respeito do que anda circulando nesse vídeo”, finalizou.

O que é a glândula pineal?

A glândula pineal fica localizada no centro do cérebro, sendo responsável por produzir a melatonina, substância responsável pela regulação do nosso ritmo circadiano, que controla os ciclos vitais do corpo humano, como os padrões de sono e o relógio biológico. A produção de melatonina pela glândula pineal também desempenha um papel na regulação dos níveis hormonais femininos e pode afetar a fertilidade e o ciclo menstrual.

Fake News

Para o site especializado em checagens de Fake News na internet, (boatos.org), esse não é o primeiro boato que surge nas redes sobre acessórios de proteção utilizados na pandemia, como álcool gel e máscaras. O site relata que a mensagem compartilhada apresenta características que apontam para mais um boato, são elas: é vaga e não apresenta local e data do evento, é alarmista com intuito de causar medo, e o mais evidente, possui erros de português e não cita fontes confiáveis de notícias.

Foto: Érika Fonseca