Mutação do coronavírus pode causar reinfecção da doença

04/09/2020 - Rochelle Nogueira

Segundo estudo, a imunidade para o coronavírus é de apenas dois ou três meses. A mutação da cepa do vírus pode infectar o indivíduo novamente.

A pandemia pelo novo coronavírus tem causado consequências no mundo inteiro. Para especialistas, o Sars-Cov-2 é um jogo de quebra-cabeça,onde cada peça montada revela uma nova descoberta. O mundo teve conhecimento de casos de indivíduos que tiveram a doença por duas vezes. Pergunta certa aos médicos e respondida sempre no campo da probabilidade, desta vez teve comprovação pela academia.

No final do mês de agosto em Hong Kong, foi confirmado o primeiro caso de reinfecção pelo novo coronavírus. Outros quatro foram anunciados desde então em quatro países diferentes Bélgica, Estados Unidos, Equador e Holanda.

Segundo o médico infectologista, Jorge Luis Rodrigues, os casos publicados na literatura médica, foram de pacientes que tiveram reinfecção por uma cepa de vírus de Sars-Cov-2 diferente. “Após algumas confirmações de indivíduos que foram infectados pelo novo coronavírus, foi constatado que foram formas diferentes do vírus. No primeiro episódio eles conseguiram identificar e rastrear o DNA. Quando a pessoa teve a segunda infecção eles também rastrearam e perceberam que o vírus tinha sofrido uma mutação. É muito comum ocorrer isso, mutações pequenas e constantes. Eles concluíram que essas pessoas se reinfectaram por duas cepas parecidas, mas não totalmente idênticas, então trataram como reinfecção”, declarou o médico.

De acordo com estudo realizado no distrito de Wanzhou, na China e, publicado na revista Nature Medicine, a imunidade de uma pessoa para o coronavírus tem validade de apenas dois ou três meses, especialmente entre assintomáticos. Dr. Jorge ressalta que essas questões de reinfecção casam com a questão da imunidade e são perguntas que a medicina ainda precisa esclarecer.

“Por que existem pessoas acometidas pela covid-19 que não desenvolvem imunidade? Provavelmente existem outras formas que não seja só por anticorpos, podendo ser também por uma ‘jogada’ celular. Essas pessoas podem ter tido a doença de forma leve e não conseguiram estimular uma imunidade adequada por pelo menos 3 meses”, disse.

O infectologista também fez outros questionamentos: “que mutação é essa que não gerou imunidade nessas pessoas? No primeiro caso, do chinês, a pessoa teve reinfecção poucos meses depois de ter a primeira. A pergunta que faço é qual o motivo da imunidade dele não ter sido suficiente para conter uma nova infecção? Essas perguntas ainda precisam ser esclarecidas, comentou.

Daniel Melo não sofreu nenhum sintoma da covid-19. Foi um dos infectados assintomáticos. Por duas vezes recebeu o resultado dos exames positivo. No último Daniel teve a confirmação da presença dos anticorpos para a doença. “Eu tenho medo de pegar a covid novamente, mas infelizmente não posso fazer nada. Estamos todos no mesmo barco”, relatou o editor de vídeo.

Em tempo recorde a medicina tenta buscar mecanismos que contenham a pandemia. A descoberta de uma vacina eficaz, capaz de proteger os seres humanos e salvar milhares de vidas, é a missão dos cientistas que buscam descobrir a chave certa para conter o vírus. As respostas a essas perguntas precisam ser desvendadas, esclarecidas, pois elas são essenciais na contenção da doença.

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