Estudo indica que face shield protege menos que máscara

04/09/2020 - Ana Clara Cabral

De acordo com pesquisa, máscaras de tecido ou do tipo cirúrgicas são mais eficazes no combate à Covid-19.

A substituição da máscara tradicional pela máscara face shied não é recomendada, de acordo com o estudo publicado nesta semana, da Física de Fluidos, da Universidade Florida Atlantic, cujo título é “Visualizando a dispersão de gotas para protetores faciais e máscaras com válvulas de exalação” (traduzido do inglês).

Para comprovar, os cientistas testaram o uso dos equipamentos de proteção em simulações em laboratório de espirros e tosses. Foi verificado, então, que as face shields não bloqueiam as secreções por completo, já que as gotículas saíram com facilidade para o ambiente externo.

Nas máscaras de modelo N95, com válvula, uma situação parecida foi observada. Apesar do equipamento filtrar o ar inalado, não filtra o ar exalado, passando as gotículas de secreção para o ambiente externo. Portando, a máscara também foi considerada menos eficiente no combate à pandemia, principalmente se o usuário estiver infectado.

Já no teste com máscaras cirúrgicas, a pesquisa afirma: “é muito eficaz para interromper a progressão do jato. Como esperado, há algum vazamento na lacuna ao longo do topo da máscara; no entanto, não é excessivo”.

Apesar disso, entres os testes com máscaras cirúrgicas, duas marcas diferentes foram utilizadas, indicando que mesmo entre as máscaras disponíveis comercialmente, semelhantes superficialmente, a qualidade e eficácia do produto podem variar.

Para concluir, o estudo indica que, no geral, os protetores faciais e máscaras com válvulas de exalação (N95) podem não ser tão eficazes como máscaras faciais regulares (cirúrgicas ou de tecido) no objetivo de restringir a propagação do vírus.

“Apesar do maior conforto que essas alternativas ofertam, pode ser preferível usar máscaras simples bem construídas. A possibilidade de adoção pública generalizada das face shields ou N95, em vez de máscaras regulares, pode ter um efeito adverso nos esforços de mitigação contra Covid-19”, diz o artigo.

Foto: Mateus Dantas