Setembro Amarelo: mudança de comportamento das crianças pode ser um sinal de alerta

03/09/2020 - Rochelle Nogueira

As crises causadas durante a pandemia devem ser observadas pelos pais e se necessário precisam ser tratadas.

Movimentação de pessoas nas ruas de Fortaleza

Brincar com os coleguinhas na escola, praticar atividades ao ar livre em praças públicas, correr, pular corda, ir ao cinema, shopping, praia, tomar banho de piscina, todas essas atividades praticadas pelas crianças foram bruscamente interrompidas devido a pandemia do novo coronavírus. Desde o início do mês de março, a rotina diária do público infantil sofreu impactos e consequências na saúde mental das crianças.

A prática do balé era motivo de entusiasmo para a pequena Thais Azevedo. Aos 6 anos, a escola, as conversas com os coleguinhas em sala, as braçadas na aula de natação, as idas frequentes ao shopping com o irmão e a mãe aos finais de semana, lhe rendia boas gargalhadas. Era atividade comum na vida dela. Com a chegada da pandemia, com a paralisação de todas essas tarefas, alterações no comportamento da criança foram percebidas pela mãe.

“De repente ela passou a comer mais do que o comum. Durante esses meses o peso dela saltou de 34 kg para 41 kg, o que ligou o sinal de alerta para o desenvolvimento dos quadros de ansiedade, irritação, angústia e tédio. As aulas on-line também passaram a ser motivo de desconforto que, segundo ela, causava dores de cabeça constantes. Nesse período, como também estava confinada com meus filhos, passei a conversar mais sobre os acontecimentos e as formas de prevenção à doença. Sempre busquei passar tranquilidade e apoio que eles necessitavam”, disse a gerente comercial, Raquel Barbosa.

Kaliny Oliveira, psicóloga da infância e adolescência e especialista em terapia cognitivo- comportamental, parceira da Câmara Municipal de Fortaleza sendo uma das colaboradoras da cartilha “O coronavírus não sai do meu pensamento. E agora?”, reforça que as crises causadas na pandemia devem ser observadas e se necessário precisam ser tratadas. A especialista fala sobre a atenção com a saúde mental das crianças e coloca em evidência essa ação tão debatida no Setembro Amarelo.

Ela ressalta que os pais devem ficar atentos aos sinais emitidos pelas crianças, pois sempre demonstram o que estão sentindo. Em decorrência da pandemia da Covid-19 as crianças têm enfrentado diversas mudanças na rotina e no estilo de vida, como isolamento social, distanciamento de amigos e parentes. “Relações essas, importantes no processo de maturidade e resolução de problemas. Enfatizo que a mudança abrupta na vida escolar, passando de presencial para virtual tem precipitado estresse e prejudicado as relações com os pares. Prevalecendo relações restritas”, relatou.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef desenvolveu dicas para famílias e educadores atentando para o incentivo às crianças a fazerem perguntas e expressarem seus sentimentos. “Lembre-se de que cada criança pode ter reações diferentes ao estresse, portanto, seja especialmente paciente e compreensivo”, disse a instituição criada pela ONU evidenciando ser uma boa oportunidade para explicar algumas das atuais crises globais em diferentes partes do mundo e ajudá-la a entender melhor aqueles que sofrem com suas consequências.

Para o público da primeira infância, de 0 à 3 anos, a psicóloga Kaliny Oliveira informa que já são capazes de perceber mudanças externas se expressando através de emoções e comportamentos. “É nesse período que acontece a formação da personalidade. Os pais devem ficar atentos ao choro fácil, irritabilidade, medos, ansiedade, inseguranças, regressão na fala e linguagem e habilidades comportamentais já adquiridas”, disse a psicóloga.

Para Raquel, mãe de Thais, buscar uma atividade física para tirar os filhos de casa foi uma ação acertada. Praticar uma atividade física perto de casa, foi um estímulo benéfico que ajudou na relação familiar e na forma física também. “Minha filha queria muito aprender a andar de bicicleta sem as rodinhas que ficam na lateral. Devido a correria por causa do trabalho, não tinha tempo de realizar essa tarefa. Durante o confinamento, como moro numa rua sem muito movimento, decidi colocar os meninos para pedalar. Essa atividade física se transformou em um momento de lazer e pura diversão. Andar de bicicleta se tornou uma paixão para nós”, comentou.

Atividades que ajudam no desenvolvimento das crianças

  • pintar;
  • brincar;
  • atividades que estimulem a criatividade;
  • realize junto com a criança atividades artesanais;
  • jogos de tabuleiro;
  • quebra-cabeça;
  • massinhas de modelar
  • jogos de adivinhação

Onde cuidar da saúde mental das crianças?

  • Caps Infantil Dr. Marcus Vinicius Ponte de Sousa Infanto Juvenil
    Rua Giselda Cysne, 87
    Bairro: Cidade 2000 (próximo ao Posto de Saúde Rigoberto Romero)
    Telefone: 3249-50-03
  • Centro de Atenção Psicossocial Infantil Maria Ileuda Verçosa Rua Virgilio Paes, 2.500
    Bairro: Cidade dos Funcionários
    Telefones: 3105.1510 / 3105.1326

Foto: Érika Fonseca