Covid-19: população aguarda ansiosa pela vacina, com previsão para o início de 2021

03/09/2020 - Ana Clara Cabral

Saiba a opinião da população quanto à vacina e do encaminhamento do Governo Federal para a chegada da mesma

A espera da vacina contra a Covid-19 tem sido o assunto das pessoas que em Fortaleza já convivem com a pandemia há cerca de seis meses. A impaciência é comentada pela população, que acabou sendo privada de manter os compromissos habituais, entre trabalho, lazer e esporte, além dos novos cuidados em atividades simples, como ir ao mercado.

É o caso da Isabel Diniz, administradora de 33 anos. Ela afirmou que tomará a vacina assim que estiver disponível, mesmo tendo medo de possíveis efeitos colaterais, já que ela chegou a apresentar alergia a componente da vacina contra gripe no passado. “Mas acredito na eficácia da dose porque temos laboratórios do mundo todo empenhados nesse projeto”, disse.

Isabel falou da expectativa: “a vacina vai mudar bastante coisa. Terei mais segurança para frequentar restaurantes, bares, para voltar às atividades coletivas em escritório (minha empresa optou por home office até que haja vacina) e para viajar”.

Voltar a brincar e sair com os amigos, além da volta às aulas presenciais é o desejo do Théo Cardoso, de 11 anos. Ele gostaria que a vacina saísse ainda no fim deste ano, e o processo pareceu simples para ele, que acredita na imunização da dose e não tem medo de efeitos colaterais. “Eu tomaria a vacina o mais rápido possível”, disse ele.

Já a aposentada Antônia Bezerra, de 65 anos, afirmou ter medo da imunização, mas tomaria mesmo assim. “Minha experiência com a vacina de gripe não é boa. Tomo todo ano, mas sempre fico um pouco doente após a vacina. Apesar disso, acredito que os cientistas são bastante capacitados para isso”, explicou.

“Vou me sentir mais segura para sair e encontrar as pessoas, voltar a ir ao shopping, lugares em que há aglomerações sem ficar com tanto medo de ser infectada”, disse Antônia, sobre as mudanças que espera no pós-pandemia.

A vacina

Segundo o Ministério da Saúde, a previsão é de que as primeiras 100 milhões de doses cheguem à população no início de 2021, por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI), que atende o Sistema Único de Saúde (SUS).

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, tem se reunido com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e, segundo o Governo Federal, a produção integral da vacina na unidade técnico-científica Bio-Manguinhos deve começar a partir de abril do próximo ano, resultado do acordo entre a Fiocruz e a AstraZeneca, parceria do Brasil com o governo britânico.

Para a produção da vacina foi liberado um crédito extraordinário de R$ 1,9 bilhão. Ainda segundo o Ministério da Saúde, a parceria com a Inglaterra prevê a assinatura do acordo de encomenda tecnológica ainda para a primeira semana de setembro, além do desenvolvimento de uma plataforma para outras vacinas, como a da malária.

Foto: André Lima