Setembro Amarelo: autocuidado é importante para prevenção ao suicídio

01/09/2020 - Câmara Municipal de Fortaleza

A Campanha neste ano reforça a preocupação com o tema em decorrência da pandemia, que se torna uma possibilidade de agravamento de quadros depressivos

O mês de setembro é marcado pela campanha Setembro Amarelo, mobilização em menção ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, promovido no dia 10. A ação visa alertar as pessoas sobre a temática. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida. Neste ano, a preocupação é intensificada pela pandemia, que se torna uma possibilidade de agravamento de quadros depressivos.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Em pesquisa realizada no mês de maio pela ABP, com cerca de 400 médicos de 23 estados e do Distrito Federal, correspondentes a 8% do total de psiquiatras do país, mostra que 89,2% dos especialistas entrevistados destacaram o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes devido à pandemia de Covid-19. 

De acordo com o levantamento, 47,9% dos consultados tiveram aumento nos atendimentos após o início da pandemia. Essa expansão atingiu até 25%, em comparação ao período anterior, para 59,4% dos psiquiatras entrevistados.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, é possível prevenir o suicídio, desde que, entre outras medidas, os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecerem os fatores de risco presentes, a fim de determinarem medidas para reduzir tal risco e evitar o suicídio.

“O tema diz respeito a todos nós, nas mais diversas áreas, e as pessoas precisam ter conhecimento acerca desse fenômeno que é o suicídio a fim de preveni-lo, a fim de mitigá-lo, a fim de eliminá-lo da nossa sociedade. De acordo com a ciência os suicídios são preveníveis, são evitáveis, conforme relata a Organização Mundial da Saúde. Nós sabemos que doenças mentais estão associadas aos fenômenos de crises suicidas, portanto cuidar da nossa saúde mental é uma forma de nos proteger contra ideias autodestrutivas”, destacou Edir Paixão, tenente coronel do Corpo de Bombeiros do Ceará e mestre em saúde pública.

Edir Paixão relata que existem fatores protetivos que podem ser encontrados dentro de cada indivíduo como a resiliência, automotivação, autoestima e outros fatores externos como as conexões, o lazer, a leitura e o apoio da sociedade.

“Devemos e podemos nos conectar com fatores que venham nos dar desejo de vida, nos afastando dos que podem nos levar ao adoecimento mental, físico, nos fazendo suscetíveis, fragilizados para ideias suicidas. Na vida precisamos da tríade: compaixão para não carregar culpas e pesos desnecessários; esperança, pois a vida é feita de sonhos; e conexão com a vida, com as pessoas, com a espiritualidade e com a nossa mente”, disse Edir Paixão.

Setembro Amarelo foi implementada no Brasil em 2015, a campanha vem sendo realizada conjuntamente entre o Centro de Valorização da Vida – CVV, Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP. É tratada como uma questão de saúde pública e deve ser efetivada com ações que requerem uma rede de apoio envolvendo poder público, sociedade e a família.

Confira entrevista com o mestre em saúde pública, Edir Paixão 🎙

Com informações de Rochelle Nogueira

Foto: Reprodução Internet