Uso de máscaras por crianças e adolescentes deve seguir recomendações por faixa etária

01/07/2020 - Marcelo Raulino

A recomendação traz dicas valiosas a respeito de como usar o material em cada faixa etária, como colocar e retirar, quanto tempo utilizar, entre outras orientações.

Adolescentes na rua durante isolamento social

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em função da pandemia de COVID-19, emitiu uma nota de alerta para orientar pais e responsáveis sobre o uso adequado de máscaras por crianças e adolescentes. A recomendação, elaborada em conjunto pelos Departamentos Científicos de Adolescência e Desenvolvimento e Comportamento da entidade, traz dicas valiosas a respeito de como usar o material em cada faixa etária, como colocar e retirar, quanto tempo utilizar, entre outras orientações.

Conforme o documento da SBP, as máscaras têm tamanho único para os indivíduos adultos, mas para as crianças e os adolescentes elas precisam ser adaptadas. Destaca, no entanto, que nesse momento, o ideal é que crianças fiquem em casa, uma vez que não é tão simples manter essa proteção por muitos minutos na face dos pequenos. “Nas idas ao médico, ao supermercado e a outros locais onde há circulação de pessoas, é necessário o uso do acessório, com a ressalva de que ele deve ser usado com cuidado e sob a supervisão constante dos pais”, diz o documento.

Afirma ser fundamental que a família explique, de acordo com a capacidade de entendimento da faixa etária do filho, que ele terá que usar o “o paninho” sobre a boca e o nariz até voltar para casa e que não poderá encostar na proteção. Os pais devem colocar a máscara na criança sempre com as mãos limpas, higienizadas e a retirada precisa ser feita pelas alças laterais ou laço posterior.

Faixas etárias

As máscaras não devem ser usadas por crianças menores de dois anos de idade. Há uma salivação intensa nessa idade e as vias aéreas de pequeno calibre e a imaturidade motora podem elevar o risco de sufocação. Na idade de dois e cinco anos, os pais devem ficar sempre de olho, pois nessa faixa etária a criança geralmente fica muito inquieta e incomodada com o acessório.

A mesmas recomendações devem ser seguidas nas crianças de seis a dez anos, acrescentando que, quando do retorno as aulas presenciais, é indispensável o uso da proteção, mas é necessário ainda o acompanhamento dos professores. A partir dos 12 anos, a criança já tem, condições de compreender todas as instruções necessárias para o uso, retirada, higienização e descarte das máscaras.

Necessidades Especiais

As crianças e adolescentes que apresentam atrasos no desenvolvimento e condições específicas, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, transtornos do comportamento, podem ter mais resistência ao uso da máscara. Nessas situações, cabe tentar um treinamento e avaliar a adesão, de acordo com a resposta individual.

Guia

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também elaborou um Guia Definitivo sobre o Uso de Máscaras em Crianças. O documento “O uso de máscaras faciais em tempo de Covid-19 por crianças e adolescentes: Uma proposta inicial”, traz informações importantes e esclarecedoras sobre o assunto. Segundo a SBP, as crianças e adolescentes devem usar preferencialmente máscaras caseiras, para que máscaras cirúrgicas e N95 ou PFF2, escassas no mercado, fiquem disponíveis para os profissionais de saúde.

“Recomenda-se que o acessório seja confeccionado em tecidos que tenham predominantemente algodão em sua composição, como aquele usado para fazer lençóis de meia malha 100% algodão, forros para lingerie e tecidos de camiseta. Misturas na composição também podem funcionar (90% algodão com 10% elastano e 92% algodão com 8%, por exemplo). O Tecido Não Tecido (TNT) sintético pode ainda ser uma opção, desde que o fabricante garanta que o item não cause alergia e seja apropriado para o uso humano”.

A reutilização das máscaras caseiras pode ser feita mediante à avaliação de seu estado de conservação, incluindo a degradação do tecido e do elástico que a envolve. Caso ela fique úmida, a recomendação é que seja trocada em até duas horas, no máximo, por isso é importante ter sempre máscaras reservas quando sair com o filho. Danificações também exigem a substituição imediata. Já as máscaras cirúrgicas duram apenas algumas horas.

Quando for trocar a máscara é importante tirá-la do rosto, dobrá-la no meio com a parte de fora para dentro e guardá-la em uma sacolinha, embalada individualmente e tomando cuidado para não entrar em contato com outros utensílios que estejam carregando. A regra é clara, caso a máscara caia do rosto da criança no chão, substitua por outra limpa imediatamente.

Durante o uso, evitar tocar ou ajustar a máscara. Se precisar encostar no tecido, coloque o dedo na parte interna da máscara, onde o risco de contaminação é menor, e nunca na frente. Depois de tocar, higienize as mãos com água e sabão líquido ou álcool em gel a 70%. A limpeza da máscara deve ser feita com água e sabão em abundância na máquina de lavar, ou deixando de molho em água sanitária (uma colher de sopa de água sanitária para 500 ml de água corrente) por cerca de 30 minutos. Em seguida, enxague bem e, após a secagem, passe ferro bem quente de ambos os lados e armazene em um saco plástico limpo, certificando-se de não deixar que o item encoste em materiais tóxicos ou contaminados.

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Foto: Érika Fonseca