Bairros com piores índices de Covid-19 são alvos de operações rígidas pelos órgãos de segurança

26/05/2020 - Marcelo Raulino

As blitze permanecem por duas horas em cada localidade e nesse período são realizadas várias ações e orientações à população.

Blitz no conjunto Ceará durante lockdown

O Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza, através de seus órgãos de segurança e fiscalização estão realizando desde o dia 8 de maio, ações de fiscalização mais rígidas em bairros que apresentam os piores indicadores relacionados à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Para essa ação, estão sendo levados em conta, os indicadores de novos casos da doença, número de óbitos, circulação de veículos e denúncias de aglomeração de pessoas e comércios funcionando indevidamente.

Nesta terça-feira, um dos bairros escolhidos para receber a ação foi o Conjunto Ceará. Essa nova dinâmica de atuação permanece até o dia 31 de maio, prazo final do Decreto Estadual nº 33.594. Segundo a tenente coronel Fátima de Paula, assessora de Comunicação da Polícia Militar, estão sendo visitados vários bairros da cidade onde a Secretaria de Saúde tem detectado um alto índice de contágio pela Covid-19.

“As blitze permanecem por duas horas em cada localidade e nesse período são realizadas várias ações como orientação sobre não aglomeração, fechamento de comércios não permitidos e a utilização de proteção individual para quem está na rua”, diz a tenente-coronel. Nesta quarta-feira, o trabalho será realizado na região de Messejana, que no último boletim apresentou 364 casos e 20 óbitos e Jangurussu, com 337 casos e 24 óbitos.

Segundo o argumento do Governo e Prefeitura, o foco da fiscalização mais rígida é buscar reduzir a curva de infecção que está ascendente, preservar as vidas dos cidadãos fortalezenses, e evitar o comprometimento da capacidade de atendimento da rede de saúde pública e privada com os novos casos da doença. Além das blitz rígidas, foram montadas sete barreiras fixas ao redor da cidade e diversas blitze volantes dispostas por todos os bairros da Capital.

Balanço

Desde o último dia 7 de maio até as 8 horas desta terça-feira (26), órgãos de segurança, trânsito e fiscalização estaduais e municipais atenderam 2.726 ocorrências, de acordo com dados do relatório do Gabinete de Gestão de Eventos Complexos (GCEC). Foram 1.833 chamados atendidos por aglomeração de pessoas, 724 referentes a comércios abertos e 169 ocorrências atendidas por descumprimento de proteção individual. Em todos os casos, as equipes atuam na fiscalização e orientação das pessoas. Caso o cidadão insista em descumprir o decreto estadual, o procedimento é encaminhado para uma delegacia da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE).

Também durante esse período, 194.781 veículos foram abordados nas barreiras fixas montadas nas entradas e saídas de Fortaleza, além das blitze móveis que atuam em 104 quadrantes da Capital. Durante as abordagens, os dados dos veículos e condutores que passam pelas barreiras são cadastrados pelos agentes de segurança no Portal do Comando Avançado (PCA), um aplicativo desenvolvido pela SSPDS para auxiliar os trabalhos de seus servidores. Por meio da ferramenta, as equipes podem consultar placas de veículos, nomes e identificação por meio da biometria. Participam das ações os efetivos da Polícia Militar do Ceará (PMCE), da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O trabalho humano tem tido o apoio também do Sistema Policial Indicativo de Abordagem (Spia) e do Núcleo de Videomonitoramento (Nuvid) da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (CIOPS). Através do Nuvid, os agentes tem desfeito várias aglomerações na cidade. A equipe realiza uma abordagem educativa sobre a importância do cumprimento do isolamento social e as pessoas retornam às suas casas. A população pode ajudar nas ações de combate ao novo coronavírus, denunciando condutas que desrespeitem o Decreto Estadual n° 33.574. As informações podem ser repassadas ao número 190 da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), sendo garantido o anonimato.

Foto: Érika Fonseca