Fortaleza tem 2,9 mil casos confirmados de dengue

22/05/2020 - Câmara Municipal de Fortaleza

Número de casos teve aumento de 80,2% em um ano

O número de casos confirmados de dengue em Fortaleza cresceu 80,2% entre 2019 e 2020, segundo relatório semanal da Prefeitura. Nos primeiros meses do ano passado, conforme o documento, a Capital tinha registrado 1.657 casos. Já este ano, no mesmo período, são 2.986. Apesar disso, a taxa de incidência é de 113 casos para cada 100 mil habitantes, o que, de acordo com o executivo municipal, caracteriza um cenário de baixa transmissão da doença.

Uma das justificativas para o aumento no número de casos é o retorno da circulação de um sorotipo do vírus que havia sido responsável pela primeira grande epidemia de dengue na Capital, em 2009. “Picos, epidemias de dengue, ocorrem quando retorna um sorotipo (existem quatro). Tem sempre um grande número de pessoas mais suscetíveis. O sorotipo 2 (circulando agora), desde dez anos atrás, não tinha força de transmissão no Brasil”, explica Nélio Batista de Moares, responsável pela coordenadoria de Vigilância à Saúde de Fortaleza.

O sorotipo 2 voltou a circular com força na Capital ano passado, disse Nélio. No entanto, apesar da alta no número de casos confirmados, o gestor assegura estar sendo possível manter o controle da doença. “Acredito que em 30 de junho ou 30 de julho venceremos a dengue. Estamos, ainda, no meio do caminho. Abril e maio, normalmente, concentram mais casos”.

Nélio afirmou que, à parte o retorno do sorotipo 2, fatores sociais e ambientais colaboram para o aumento no número de casos. “43% (dos casos confirmados este ano) estão na Regional 6, em bairros como Jangurussu, Messejana, Barroso e Sapiranga”, exemplificou.

Ele disse ainda que o enfrentamento à pandemia de Covid-19 tem limitado as ações de campo da Prefeitura para prevenir dengue e outras arboviroses como zika e chikungunya. Entretanto, operações intersetoriais de limpeza, educação e remoção de criadouros do mosquito Aedes aegypti, prévias à pandemia, foram essenciais para diminuir a propagação do vírus. “Nosso trabalho, apesar de limitado, não deixa de acontecer. Já conseguimos chegar a 80 mil imóveis nestes últimos 45 dias de propagação forte da Covid-19. Fazemos abordagens nas frentes das casas, guardando distância de dois metros das pessoas e com uso de EPIs”, assegurou.

As visitas aos imóveis têm tido função dupla. Nelas, os agentes municipais tanto orientam sobre cuidados para prevenir arboviroses como observam se há pessoas com sintomas gripais ou suspeitas de Covid-19. “Algumas pessoas, temendo contrair a doença, estão evitando buscar o serviço de saúde”, justificou Nélio. Ele admite que isso pode contribuir, inclusive, para uma subnotificação, também, dos casos de dengue. “É um momento muito diferente”.

Números da dengue no Brasil

Conforme o último boletim epidemiológico sobre arboviroses divulgado pelo Ministério da Saúde, a maior parte dos casos prováveis de dengue tem se concentrado, este ano, nas regiões Sudeste (256.027), Sul (243.342) e Centro-Oeste (138.407) do País. O Ceará, por sua vez, aparece no relatório federal como um dos estados “em situação de atenção” para a dengue, ao lado de outros como Bahia, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Paraná.

Números da dengue no Ceará e em Fortaleza

Boletim epidemiológico divulgado no último dia 30 de abril pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) dá conta de 11.165 casos notificados, 3.996 casos confirmados e um óbito, este ano, no Estado. Em Fortaleza, conforme balanço mais recente feito pela SMS, foram registrados, no mesmo período, 6.255 casos notificados, 2.986 casos confirmados e nenhum óbito pela doença — cinco foram descartados e cinco estão, ainda, em investigação.

Na Capital, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e os postos de saúde foram as unidades de assistência mais procuradas pela população, até então, para confirmar a doença. As regionais 6 e 5 concentram a maior quantidade de casos.

Quais são os sintomas da dengue?

  • Febre acima de 38,5º celsius
  • Dores musculares intensas
  • Dor ao movimentar os olhos
  • Mal estar
  • Falta de apetite
  • Dor de cabeça
  • Manchas vermelhas no corpo

Como é a transmissão?

Pela picada do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas ou outros recipientes.

Cuidados em casa para prevenir a dengue

Nélio Batista de Moares, responsável pela coordenadoria de Vigilância à Saúde de Fortaleza, acredita que o isolamento social é “o momento” para as pessoas prestarem mais atenção às suas casas e prevenir a reprodução do Aedes aegypti. Basta uma vez por semana. Veja como:

  • Mantenha a caixa d’água vedada;
  • Lave com escova e sabão os tanques utilizados para armazenar água;
  • Encha de areia as bordas dos pratos que guardam os vasos das plantas;
  • Mantenha as calhas limpas;
  • Não deixe água acumulada em pneus, garrafas ou outros recipientes.

Reportagem: Luana Severo

Fonte: Ministério da Saúde

Foto: PMF