Fazendo uso do tempo do Pequeno Expediente, na manhã dessa quarta-feira, 20, o vereador Evaldo Lima (PCdoB) comentou sobre a recente visita do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ao Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América. De acordo com o vereador, Bolsonaro não respeitou um dos princípios fundamentais das relações internacionais: a reciprocidade.

O parlamentar referiu-se à isenção de visto aos americanos para o Brasil, também da permissão do uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Ainda, o comprometimento da compra de 750 toneladas de trigo americano sem cobrança de tarifa, e a saída da
Organização Mundial do Comércio (OMC). Evaldo Lima afirma que todos os acordos foram feitos sem promessa concreta de vantagem para o Brasil.

A expectativa do presidente Bolsonaro é que após abrir mão dos benefícios da OMC, com apoio dos EUA, o Brasil consiga entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecida como “clube dos países ricos”. Ademais, possivelmente se tornará aliado dos EUA na extra-Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Saindo da OMC, o governo brasileiro perde a possibilidade de prazos maiores e flexibilizações em acordos comerciais entre países autodeclarados “em desenvolvimento”. Essa medida tem como objetivo estimular os investimentos do país com políticas macroeconômicas, como um selo de qualidade, mas ainda sem garantias de que o Brasil será aceito na OCDE. Para que isso aconteça, é necessária a aprovação de países europeus, que até então priorizam o próprio continente.

O vereador Evaldo Lima lamentou a forma que as decisões do presidente são tomadas e falou que através dos acordos acima citados “começamos a levantar um enorme complexo de vira-lata”. De acordo com ele, o Brasil está entregando muito mais do que recebe, e isso pode desencadear uma crise ainda maior.

Foto: Érika Fonseca.