A Câmara Municipal de Fortaleza realizou na tarde desta terça-feira, 21, no auditório Ademar Arruda uma audiência pública com o objetivo de debater sobre a conscientização da endometriose no município de Fortaleza. A proposição foi da vereadora Cláudia Gomes (PTC).

A vereadora Cláudia Gomes destacou que o intuito da audiência f oi chamar atenção da população e da rede pública de saúde para o diagnóstico da endometriose, pois, muitas vezes, a doença se não tratada precocemente, pode causar infertilidade nas mulheres. “Queremos informar a população sobre o que é a endometriose, principalmente para mulheres. Temos conhecimento de várias delas que estão apresentando o problema, desconhecem a enfermidade, e muitas vezes recebem o diagnóstico tardiamente. Temos uma estatística muito grave que diz que de 10 a 15% das mulheres no período reprodutivo terão a doença e 30% se nada fizerem ficaram inférteis”, atentou a vereadora.

Cláudia Gomes evidenciou que a rede pública de saúde não tem uma política pública específica para casos de endometriose no Município. “É por isso que estamos com esse projeto, para que isso mude. Precisamos de um diagnóstico rápido e preciso, pois a idade que a mulher tem para ser mãe não é tão longo e ela pode perder esse momento devido ao problema”, disse a vereadora.

Dra. Karen Azin, especialista em endometriose, reforçou que a enfermidade afeta 180 milhões de mulheres no mundo e a estimativa para Fortaleza é de 400 mil em idade fértil sofrendo com a doença. “10% das mulheres não sentem cólicas, mas 90% sentem e acham que sentir dor é normal. Uma questão cultural. O grande problema da endometriose é a questão do acesso ao serviço público de saúde seja via SUS ou rede privada. Muitas vezes a falta de atenção na identificação da doença é devido ao desconhecimento das pacientes, dos sintomas, e também dos profissionais de saúde, e a gente fala inclusive dos ginecologistas que i a importância ignoram a doença, e acabam menosprezando os indícios”, frisou a especialista.

Dr. Paulo Vasques, representando a Secretaria Municipal de Saúde, se disse impactado com os depoimentos das mulheres acometidas pela doença, ressaltando ter similaridade com abalo sofrido pelas pessoas com câncer, área que atua. Dr. Paulo frisou ainda que o trabalho de conscientização não deve ser só da população, mas também dos profissionais de saúde. “Vou levar dessa reunião propostas para a rede pública de saúde. O intuito é de alertar os profissionais para que, no caso dos sintomas da endometriose, seja ligado o sinal de alerta e a paciente encaminhada aos especialistas”, observou.

Aos 28 anos Lia Herculano, pedagoga, foi diagnosticada com endometriose. A descoberta foi feita pela própria paciente que se identificou com os sintomas sofridos por uma amiga que estava prestes a realizar uma cirurgia. “Procurei um ginecologista e para mim foi um diagnóstico muito pesado, pois a doença não tem cura e se não tratada pode causar infertilidade. Foi uma sentença muito pesada”, falou. Lia passou por duas cirurgias e tratamento para a contenção da doença o que lhe proporcionou ter seu filho, hoje com 3 anos.