Com o objetivo de decidir a tomada de ações e medidas específicas voltadas para os motociclistas em Fortaleza, a CMFor realizou na tarde desta segunda-feira (24), uma audiência pública no Auditório Ademar Arruda, para ouvir as demandas e os anseios da categoria. A proposição do evento foi do vereador Dr. Porto (PRTB).

De acordo o vereador Dr. Porto, essa audiência foi uma demanda dos motociclistas de Fortaleza que visam buscar ações efetivas que diminuam os acidentes, pois trata de ser um veículo vulnerável no trânsito da cidade. O parlamentar destacou ações do Município. “A gente vê que a prefeitura está reduzindo o número de acidentes que, hoje, são 26 % a menos que o registrado no ano passado. Mas se a gente for comparar os acidentes na cidade, 56,9% ainda ocorrem com motociclistas, e, destes, 80,2% são de homens”, enfatizou o vereador.

Dr. Porto relatou que muitos acidentes com os motociclistas deixam sequelas momentâneas e até mesmo permanentes. “A gente verifica que em diversos hospitais de traumatologia as pessoas acidentadas muitas vezes são as que dão sustento às suas famílias. Elas estão ali inabilitadas temporariamente e em outros casos de forma permanente. Queremos dar um viés mais preventivo para os motociclistas”, atentou Porto.

O Assessor Técnico da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), André Luiz Barcelos, apresentou aos presentes dados que mostram que há sim uma diminuição de acidentes envolvendo motociclistas no trânsito. “Fortaleza tem hoje um trabalho muito forte em relação a segurança viária. Nós temos atualmente uma diminuição crescente nos números de acidentes de trânsito. Pelo terceiro ano consecutivo, conseguimos números abaixo de 300 mortes. Em relação a 2016, tivemos uma baixa em 9% nos índices”, disse.

Barcelos relatou que a motocicleta está no topo dos acidentes por ser o meio de transporte mais vulnerável. De acordo com ele, a categoria é a que mais se fere com quase 70% das vítimas. Em relação a acometer atropelamentos, o veículo de duas rodas é o líder com quase 40% dos acidentes. “Dos 1.611 atropelamentos, 97% deles foram causados por moto”, disse. No caso de vítimas fatais, 50% são de motociclistas, mas com redução de 12% dos óbitos em relação ao ano passado, dados apresentados pelo assessor da AMC.

Silvio Augusto, presidente da Associação dos Motociclistas de Fortaleza, atentou para as principais demandas para eles. “Aumento do espaço dos bolsões para os motociclistas, retirada das tartarugas que ficam separando as faixas, pois atrapalha bastante os motoristas, inclusive já causou vários acidentes. Disponibilizar vaga de idosos para motocicletas em shoppings. Inclusive um amigo nosso colocou a moto na vaga do idoso com o cartão e mesmo assim foi pedido para retirar a motocicleta do espaço destinado somente a carros”, relatou Silvio.

Gleusson Gomes, presidente do Agnus Dai Motoclube, enfatizou um projeto que leva educação no trânsito para as escolas de Fortaleza. “Nós temos um projeto que leva as escolas o tema educação no trânsito. A educação não só de motociclistas, pois não é somente eles que acometem as falhas, os motoristas de outras modalidades de veículos também. Como por exemplo, quando o motoristas de carro fala no celular e dirige, quando troca de faixa sem sinalizar. Não adianta mudar o adulto que já está com o vício, eu tenho que mudar na raiz, na criança e no adolescente. Esse é um dos projetos do motociclismo cearense”, finalizou.