A Câmara Municipal de Fortaleza promoveu na tarde desta sexta-feira, 28, uma sessão solene em homenagem aos 21 anos do Festival Eleazar de Carvalho. A propositura do evento é de autoria do vereador Jorge Pinheiro (DC), por meio do requerimento n° 2418/2019.

O vereador Jorge Pinheiro reforçou o compromisso do Legislativo em propiciar agraciamentos como este. “O Festival Eleazar de Carvalho é um espetáculo ímpar, pois realiza na cidade de Fortaleza aquilo que nós precisamos tanto, que é trabalhar a erudição na música. Ao abrir durante o período que se apresenta na Unifor para o grande público, contribui para a construção da paz. A música erudita trabalha a espiritualidade que é próprio da erudição, das coisas mais altas, e, principalmente, a harmonia que precisamos tanto. Inclusive apresentei um projeto criando a medalha Eleazar de Carvalho que visa premiar, a cada ano, destaques da música erudita aqui da cidade de Fortaleza”.

A viúva de Eleazar de Carvalho, Sônia Muniz Carvalho, em continuidade ao trabalho do marido, destacou o amor do esposo dedicado a música erudita e a oportunidade dada aos jovens do Nordeste, sua terra. “Fico muito feliz pela homenagem, pois Eleazar de Carvalho tinha um carinho especial pelos meninos do Nordeste. A gente tinha esse mesmo festival em Campos do Jordão e ele sempre conseguia passagens para os jovens do Norte e do Nordeste irem para São Paulo participar. Prometi a ele, na semana em que faleceu, que cuidaria deles. Faço isso com muito carinho e muito amor. Essa homenagem é em reconhecimento de todo o nosso trabalho, pois já mudamos a vida de muita gente”, atentou.

Homenageados

  • Eleazar de Carvalho (in memorian);
  • Sônia Muniz de Carvalho;
  • Randal Martins Pompeu; vice-reitor de extensão da Universidade de Fortaleza em nome de Airton José Vidal de Queiroz e Renata Queiroz;
  • Irineide Silveira;
  • Selma Cabral;
  • Antônio Patrick e Silva Bezerra.

Galeria

Sobre o Festival Eleazar de Carvalho

A Fundação Educacional, Cultural e Artística Eleazar de Carvalho (entidade sem fins lucrativos) foi constituída a fim de proporcionar aos jovens estudantes de música a oportunidade de se reciclarem através de festivais, concursos e apresentações. O maestro Eleazar foi o pioneiro destes eventos, tendo criado nos anos 50 o movimento Juventude Musical Brasileira.

Para satisfazer o último desejo do maestro, o festival veio para Fortaleza, homenageando assim o estado do Ceará e seu filho ilustre, o maestro Eleazar de Carvalho. O modelo do Festival se inspira na dicotomia festa e aprendizado. Festa é o próprio Festival, ou seja, a festa musical constituída por eventos que são realizados em teatro, ao ar livre e em igrejas. Aprendizado é o curso de extensão ministrado aos bolsistas durante o festival por 22 professores brasileiros e estrangeiros. No total, são mais de 100 alunos selecionados em audições que recebem bolsas completas ou parciais, alunos ouvintes e convidados.

Este festival, realizado por 20 anos consecutivos, faz parte do calendário artístico internacional, nacional e do estado do Ceará. O modelo do Festival foi trazido para o Brasil pelo maestro Eleazar de Carvalho originalmente de Tanglewood, Massachussets, nos Estados Unidos, onde o maestro estudou na década de 40 e foi sucessor de seu mestre, Sergei Koussewitzk.

Inicialmente lançado em Campos do Jordão, no clima europeu das montanhas paulistas, foi levado também para Itu, em São Paulo, Gramado, no Rio Grande do Sul, João Pessoa na Paraíba, e finalmente para Fortaleza. O evento se encaminha para sua 21ª edição difundindo a música erudita na terra alencarina, como sempre sonhou o Maestro.

Fonte: Universidade de Fortaleza

Biografia de Eleazar de Carvalho

Eleazar de Carvalho nasceu em Iguatu, Ceará, em 28 de julho de 1912. Transferiu-se, jovem ainda, para o Rio de Janeiro, passando a integrar a Banda de Música do Batalhão Naval, onde tocava tuba. No Instituto Nacional de Música estudou contraponto e fuga com Paulo Silva e regência com Francisco Mignone. Diplomou-se em 1934. Teve a sua ópera em dois atos Descobrimento do Brasil encenada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1939. Ao deixar a Marinha, tocou em cabarés, cassinos e circos, até ser empossado na Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Eleazar de Carvalho deixou poucas obras. São conhecidas, além de Descobrimento do Brasil (1939), uma segunda ópera, Tiradentes (1941), e as Variações sobre duas séries dodecafônicas, para percussão e orquestra de cordas (1968). Faleceu em São Paulo, em 12 de setembro de 1996.

Fonte: Academia Brasileira de Música.

Fotos: Evilázio Bezerra