A Câmara Municipal de Fortaleza realizou, nesta quinta-feira (13), Sessão Solene em homenagem aos 10 anos de realização da Marcha pela Vida. A homenagem foi proposta pelo vereador Jorge Pinheiro (PSDC), aprovada por unanimidade pelo plenário da Casa. A sessão foi presidida pelo próprio autor da homenagem, no ato representando o presidente da Casa, vereador Salmito Filho (PDT).

A mesa solene contou com as seguintes presenças: deputado estadual Ely Aguiar; Fernando Antônio Lobo Marques,  coordenador do Movimento pela Vida e Não Violência (Movida) e fundador da Marcha pela Vida; Robson Willians Ramalho, presidente da Associação dos Agentes de Proteção a Infância e a Juventude do Ceará; Lúcia de Fátima Studart Meneses, coordenadora geral do Ministério Shalom de Planejamento Natural da Família;  Larissa Rodrigues Barros, coordenadora do Centro Humanitário de Amparo à maternidade (CHAMA); Catarina Rochamonte, professora de filosofia da Uece e apresentadora do programa Ágora Cearense; Adriana Meireles Brasileiro, Diretora do Departamento de Agentes de Proteção do Juizado da Infância e da Juventude da Comarca de Fortaleza e Natasha Raíssa Souza Bandeira, membro da Casa Luz;

Em sua saudação aos presentes, o vereador Jorge Pinheiro destacou a emoção de homenagear um movimento tão representativo quando o Movida e os 10 anos da Marcha pela Vida, destacando os diversos temas abordados durante os anos, como o direito a vida, a vida da mãe e contra a legalização do aborto.  Lutamos contra a legalização do aborto, mas agora nunca tínhamos vivido uma situação com a atual, quando a suprema corte do país está prestes a aprovar a aborto. A forma como o STF está se posicionando sobre a proposta é um absurdo, e para reverter isso é muito difícil”, destacou. Para ele, a única saída é a união de forças de toda sociedade para barrar a proposta.

Em seguida falou o deputado Eli Aguiar (PSDB)  que destacou que esse movimento marcha pela vida tem uma repercussão muito grande. “Hoje vivemos uma incerteza quanto ao aborto, o pais está dividido. A tendência do Supremo é pela aprovação e essa intenção deve ser a mesma na Câmara Federal. Há uma divisão, mas o movimento pró-aborto é muito forte. Acredito que isso será definido nessas próximas eleições”, observou.

Afirmou que considera a Família uma instituição sagrada, o núcleo da sociedade, e que deve ser preservada. “O que vemos é a família ameaçada. Vimos um projeto da esquerda propondo a ideologia de gênero.As pessoas que não entendem bem confundem orientação sexual e ideologia de gênero, eles querem colocar tudo no texto. Vemos esse projeto como ameaça à família. Reunimos os católicos e evangélicos para barrar esse projeto que foi incluído dentro do plano estadual de educação. Tivemos muita dificuldade e apresentei uma emenda impedindo a ideologia de gênero nas escolas”, revelou.

Entende que as pessoas podem escolher sua orientação sexual. “Todos são iguais perante Deus, mas você não pode aceitar que uma criança em formação, sem ter noção do que é a vida, os conceitos, seja induzida a determinados conceitos. Aprovamos uma emenda retirando esse conceito do plano. Houve uma carga muito forte dos deputados do PSOL, do PT e do PCdoB e uma parte do PDT. Outros deputados que não queriam se expor, se ausentaram. Mesmo com o bairro quórum, foi aprovada a emenda. Algo que foi muito valorizado pelas pessoas que defendem a família”, enfantizou

Em seguida falou Lúcia de Fátima, coordenadora geral do Ministério Shalom de Planejamento Natural da Família (Plafam). Ela destacou o trabalho feito pelo Ministério, em prol de auxiliar casais com relação a fertilidade e alertar sobre os riscos dos métodos contra conceptivos. “É um ministério que ajuda aos casais a reconhecerem sua fertilidade. Hoje os remédios causam abortos imperceptíveis, ocultos, pois inibem a reprodução do óvulo. Nosso trabalho é libertar, formar os casais para acordarem para esse tema. Começamos esse trabalho há mais de 25 anos”, disse.

Larissa Rodrigues, do Chama, destacou que trata-se de um abrigo que acolhe mulheres que não querem adotar seus filhos. “O que percebemos que levantar a bandeira da vida não é algo fácil. Falar para a mulher estuprada sobre a opção de que ela pode ter o bebê, com apoio, é algo muito significativo. As recebemos com amor, com ou sem o apoio da família. Temos capacidade para receber 14 grávidas, sem limite de fronteira. A intenção é que ela saia fortalecida. Recebemos o relato delas, que lá aprenderam a amar. Isso nos fortalece”, frisou.

Adriana Meireles Brasileiro, Diretora do Departamento de Agentes de Proteção do Juizado da Infância e da Juventude da Comarca de Fortaleza parabenizou o vereador por esse momento de valorização da vida. “Somos uma rede. E nos indagamos; qual o meu direito com relação a vida do outro. Vou falar dos Anjos da Adoção, que nasceu da necessidade de amparo às gestantes que não desejam aquele filho. Essa ação já é uma garantia de que aquela mulher não vai abortar. Ele projeto surgiu como braço do Poder Judiciário com a proposta da adoção legal. Ela recebe o direito do parto assistido, quando não tem amparo da família. Temos dois anos de existência, já acompanhamos 33 mulheres para adoção e para nossa surpresa, as mulheres de rua e pobres não procuram à Justiça. Quem procura são universitárias, advogadas, mulheres casadas, um público que nos surpreendeu.

Catarina Rochamonte, professora de filosofia da Uece e apresentadora do programa Ágora Cearense, disse que diferente das demais oradoras com vários serviços prestados, tudo que tem é a palavra escrita e falada. “Sou professora da UECE, escritora e trabalho em um programa de rádio e venho tentando usar esses meios para ir contra ao que tem sido colocado aqui, uma tentativa engenharia social. Será que tem pessoas que querem moldar a nossa vida sexual, nossa crença”.

Disse que na universidade o pensamento comum é bem diferente do de quem defende a família. “É um ambiente hostil. Em um momento que estava angustiada abri um livro da minha religião espírita, e tentei ver algo que me aquietasse. Abri um texto sobre o aborto. Eu vejo que nesse momento todas as religiões devem se unir para enfrentar.  Para que houvesse uma resistência as propostas contra a família, foi preciso que os católicos procurassem os evangélicos para combater. Por isso que acho que todas as religiões que tem Cristo como guia, devem estar unidas. Precisamos entrar em combate”, asseverou

Logo depois foram feitas homenagens com a entrega de certificados para Catarina Rochamonte, Adriana Meireles Brasileiro, Lúcia de Fátima Studart Menezes, Larissa Rodrigues Barros e Fernando Antônio Lobo Marques.

Em nome dos homenageados falou Fernando Antônio Lobo Marques. Ele fez um pequeno histórico sobre a Marcha pela Vida. “Quando começamos a instalar aquilo que deveria ser a Movida, começamos com o movimento Brasil contra o Aborto, queríamos implantar uma frente parlamentar em defesa da vida. Com muita dificuldade conseguimos. Algumas pessoas estão aqui presentes, mas recordo que o (Afonso) Ibiapina foi uma das pessoas chaves no movimento, abraçou a causa. De lá para cá foram muitas lutas. Hoje há no Congresso Nacional, uma união entre os cristãos e outras religiões que defendem a vida. Graças a Deus está vindo uma nova geração que defende os valores da vida”.

“Eu fico muito feliz por essa homenagem porque representa o trabalho que foi feito e atingiu aos objetivos. Podemos até lançar a campanha, ‘a vida depende do seu voto’, para que seja garantida nas casas legislativas o apoio contra a legalização do aborto. A Marcha pela Vida acontecerá no dia 22. Convidamos a todos a partir das 16 horas. E o vereador continue com esse trabalho da marcha pela vida e use sua influência para barrar a legalização do aborto. Podemos até apresentar a campanha pelas duas vidas, a da mãe e a do bebê. Na Argentina a proposta foi rejeitada e para comemorar, as pessoas colocaram fitinhas azul bebê

Jorge Pinheiro disse que já aprovou na Câmara uma moção de repudio a ADPF 442, proposta que pede a exclusão do Código Penal dos artigos 124 e 126, que definem como crime a interrupção da gravidez tanto para a mulher, quanto para quem a ajuda a abortar. “Fomos a Brasília e verificamos que Fortaleza foi a única cidade a aprovar a moção. Então orientamos outras cidades e hoje temos mais de 85 delas aprovaram a moção de repudio. Esse trabalho é digno de nota. Peço ainda que vocês divulguem a marcha pela vida, mostrando que Fortaleza não quer a legalização do aborto”, finalizou.