O período chuvoso em Fortaleza coloca em alerta a cidade para os cuidados em relação às arboviroses. Isso acontece devido ao acúmulo de água em recipientes com descarte indevido que potencializam a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chinkunguya. Diante desse cenário, tem sido uma preocupação recorrente do Legislativo Municipal e da Prefeitura de Fortaleza pensar em projetos e realizar ações que diminuam a proliferação do vetor dessas doenças.

Desde 2017, a Prefeitura de Fortaleza criou o Comitê Permanente de Combate às Arboviroses, que conta com a participação da Comissão de Saúde e Seguridade Social da CMFor, presidida pelo vereador Dr. Porto (PRTB).

Dr. Porto destacou a atuação do Comitê, evidenciando que neste ano já foi realizado o planejamento das ações de enfrentamento ao mosquito Aedes Aegypti. O parlamentar afirmou que a melhor forma de prevenção são os cuidados na limpeza das residências, fazendo uma checagem dentro e fora das casas.

O Comitê tem atuação integrada e ininterrupta de diversas secretarias municipais e proporciona uma maior eficácia no controle da dengue, chikungunya e zika em Fortaleza, com controle vetorial e contingência epidemiológica, bem como atividades de educação em saúde e mobilização social.

O combate, no entanto, só é possível com a participação da sociedade civil, já que conforme o Ministério da Saúde, 80% dos focos do mosquito Aedes Aegypti estão nas residências.

Nas chuvas o quadro se agrava, pois o vetor potencializa o ciclo de reprodução do mosquito. Os ovos, que são geralmente depositados em vasilhas, pneus, copos descartáveis e garrafas durante a estiagem, necessitam apenas do contato com uma lâmina de água para se desenvolver. Até mesmo uma casca de laranja ou uma tampinha de garrafa, são criadouros em potencial. E o ciclo do Aedes Aegypti, entre a eclosão dos ovos até o surgimento do mosquito adulto, acontece entre 7 a 10 dias conforme a temperatura do local.


Infográfico sobre o ciclo de vida do mosquito Aedes Aegypti.

A capacidade de resistência, adaptação e a facilidade de reprodução do Aedes aegypti fazem com que ele seja utilizado como vetor pelos micro-organismos de várias doenças, favorecendo assim o processo de infecção. Para ser capaz de infectar uma pessoa, o vírus precisa estar presente na saliva do inseto. Por exemplo, no caso da dengue, após o mosquito picar uma pessoa que esteja infectada, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva.

Geralmente as doenças se manifestem de forma leve ou moderada, mas em alguns casos elas podem levar a óbito. No caso do Zika Vírus, a infecção também pode causar a microcefalia. Em 2016, foram registrados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em Fortaleza quase 22 mil casos de dengue, com 10 mortes. Em 2017, a quantidade de casos diminuiu para 13.558, porém o número de óbitos foi 19. Em 2018, o número caiu consideravelmente para 1.223, com 5 mortes.

Com relação à Chikungunya, os dados apontam que em 2017, a cidade sofreu uma epidemia da doença. Foram 61.710 casos e 144 mortes. No ano anterior (2016), a SMS havia registrado 17.782 casos e 25 óbitos. Já em 2018, o número de casos reduziu significavelmente para 527, com apenas uma morte.

Iniciativas do Executivo no combate às arboviroses

Em 2018, foram realizadas 2.233.089 visitas domiciliares pelos agentes da Célula de Vigilância Ambiental e de Riscos Biológicos da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para controle focal que possibilitaram a eliminação de 36 mil focos do mosquito. Além da inspeção em mais de 29 mil pontos estratégicos, 789 pontos fiscalizados pela AGEFIS, 6.142 inspeções em imóveis de grande fluxo e 2.155 visitas por demanda da população. Foram recolhidos, ainda, 1.265 toneladas de pneus inservíveis.

Dentre as ações que são desenvolvidas pelo Comitê Permanente de Combate às Arboviroses estão: visitas quinzenais em locais considerados pontos estratégicos; recolhimento semanal de pneus inservíveis; ampliação do Programa Senhora Faxina; operações “Quintal Limpo” nos bairros com maior índice de infestação pelo Aedes Aegypti; exposições educativas em locais com grande concentração de pessoas; pedágios educativos nas principais ruas e avenidas da cidade; fortalecimento das mídias institucionais; campanhas publicitárias, além de parcerias com a sociedade civil organizada.

Exposição Educativa realizada pela Prefeitura de Fortaleza nas comunidades da cidade.

Segundo o prefeito Roberto Cláudio (PDT), a ideia é que essas ações não aconteçam apenas durante a estação chuvosa, mas, na verdade, seja uma agenda permanente da saúde pública de Fortaleza. Na reunião realizada pelo Comitê no início deste ano, o prefeito anunciou o “Projeto Onda Limpa”. A iniciativa conta com a parceria da Escola de Aprendizes Marinheiros e visa realizar a limpeza nas praias da cidade e promover a conscientização da população, através de campanhas educativas, alertando-a sobre as formas de prevenção e combate ao mosquito.

“Neste ano, teremos parceria com a Escola de Aprendizes de Marinheiros, que formará jovens para prevenção nas ruas, nova edição do Senhora Faxina, com multiplicadores da terceira idade, além da notificação em tempo real dos casos dessas doenças, ajudando a termos uma ação mais dirigida”, anunciou o gestor em reunião realizada no Paço Municipal, em janeiro de 2019.

Apesar do grande número de ações realizadas pelo poder público, a população é um dos atores principais na luta contra o Aedes Aegypti. Nós elencamos alguns cuidados que você deve adotar no seu dia a dia.

FAÇA A SUA PARTE:

  • Cuide para que lixeiras, baldes, ralos, calhas, garrafas, pneus, pratos com vasos de plantas e, até brinquedos, não sirvam de criadouro para as larvas do mosquito;
  • Limpe as bandejas externas de geladeiras e bebedouros; além das caixas de ar-condicionado;
  • Vede as caixas d´água;
  • Ao armazenar garrafas vazias e baldes coloque-os com a boca virada para baixo;
  • Repelentes e inseticidas também podem ser usados, seguindo as instruções do rótulo;
  • Mosquiteiros proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia (bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos);
  • Telas em janelas e portas também podem ser adotadas com boa eficácia.

Fotos: Divulgação Prefeitura de Fortaleza